Ataques ucranianos atingem pelo menos cinco navios graneleiros em portos russos do Mar Negro

Investidas com drones contra Novorossiysk e Tuapse marcam os primeiros ataques confirmados a embarcações agrícolas nos terminais russos, ampliando os riscos ao abastecimento global.

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 23:31
Atualizado em 21 de agosto de 2026 às 14:59
Pedro

Pelo menos cinco navios envolvidos no transporte de grãos foram atingidos por ataques de drones nas proximidades dos portos russos de Novorossiysk e Tuapse, no Mar Negro. O episódio marca a primeira confirmação de ataques direcionados a embarcações civis a serviço desses terminais, refletindo a intensificação da guerra marítima e elevando a volatilidade sobre a segurança alimentar e o suprimento internacional de trigo e cevada.


Quatro das embarcações foram alvejadas na manhã de terça-feira e uma na segunda-feira, sofrendo diferentes níveis de avarias operacionais. O graneleiro de bandeira russa Victoria V, com capacidade para 7 mil toneladas, foi atacado em Novorossiysk antes de iniciar o carregamento de trigo. O navio Fehu, registrado sob bandeira das Ilhas Marshall, foi atingido logo após desatracar do mesmo porto com um lote de trigo a bordo, conseguindo prosseguir viagem. Da mesma forma, o graneleiro de bandeira maltesa Elina B foi atingido após carregar cerca de 56 mil toneladas de trigo em Novorossiysk, mantendo o curso em direção ao Estreito de Bósforo. Em Tuapse, o navio de bandeira de San Marino Necibe sofreu um ataque por drones quando se preparava para embarcar 20 mil toneladas de trigo. O quinto navio, o graneleiro de bandeira liberiana Anna S, seguia em direção a Novorossiysk para carregar cevada quando um ataque com drone provocou um incêndio a bordo, forçando a interrupção de sua viagem por incapacidade de navegação.


As investidas ampliam a crise operacional no escoamento das safras da Rússia pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov. Os constantes ataques com drones já haviam paralisado completamente os embarques nos portos russos do Mar de Azov desde 10 de julho — rota estratégica responsável por cerca de 25% de todas as exportações de grãos do país. Além disso, três importantes terminais de águas profundas no porto de Novorossiysk precisaram suspender temporariamente suas operações após serem alvos de bombardeios pesados na semana anterior.

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