Apesar da ameaça do El Niño, monções na Índia devem ficar próximas da normalidade em 2026
Seca no centro-norte da Índia ameaça safra de trigo, enquanto chuvas no sul protegem a cana-de-açúcar; fase positiva do Dipolo do Oceano Índico ajuda a mitigar impactos
A temporada de monções da Índia, crucial para o desenvolvimento das safras no país, deve registrar volumes ligeiramente mais secos do que o normal entre os meses de junho e setembro de 2026. No entanto, a ameaça de um evento forte de El Niño tende a ser compensada por uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico (IOD), mantendo o regime de chuvas próximo à média histórica.
Abaixo, os principais destaques da previsão climática e seus impactos no mercado agrícola:
• Impacto nas Safras (Trigo vs. Cana-de-açúcar): A distribuição das chuvas ditará o rumo das culturas. O centro e o norte da Índia devem ser as regiões mais duramente atingidas pelo tempo seco, o que prejudicará diretamente o plantio da próxima safra de trigo (que ocorre após as monções), devido ao esgotamento da umidade do solo e ao baixo nível dos reservatórios de irrigação. Em contrapartida, a previsão de chuvas elevadas no sul do país deve evitar riscos de quebra para a cana-de-açúcar, que tem grande parte de seu cultivo concentrada na região.
• Projeção de Volumes: A previsão oficial aponta para um volume ponderado de 840 mm, o que representa 3% abaixo da normalidade. Caso se confirme, será a primeira temporada de monções abaixo da média desde 2023. Embora o cenário-base seja de uma leve seca, a análise de anos análogos sugere que não se pode descartar totalmente o risco de uma "falha" nas monções (quando a seca é muito mais severa).
• Drivers Climáticos (El Niño + IOD): O desenvolvimento do El Niño é um fator clássico de risco para as monções indianas, favorecendo a seca no norte/centro e chuvas no sul (padrão esperado para este ano). Contudo, a previsão aponta para um IOD cada vez mais positivo durante a janela de junho a setembro, fenômeno que tradicionalmente traz chuvas generalizadas e deve atuar como um "escudo", evitando um déficit hídrico extremo.
• Alerta de Longo Prazo: O relatório destaca uma tendência preocupante no clima da região: utilizando regressão linear, observa-se uma queda estrutural de aproximadamente 2% nas chuvas das monções nos últimos 45 anos (1980-presente). A possível consolidação de um El Niño prolongado nos próximos anos pode acentuar essa curva descendente, exigindo monitoramento rigoroso quanto aos impactos das mudanças climáticas na segurança alimentar e nos mercados globais nas próximas décadas.
⚠️ Essa análise é só um recorte.
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