Empresários capixabas vislumbram reativação de projeto de fábrica de fertilizantes em Linhares-ES

Impulsionada por subsídio federal de R$ 10 bilhões, antiga proposta da Petrobras volta ao radar do setor produtivo do Espírito Santo, embora estatal negue previsão a curto prazo

Publicado em 3 de junho de 2026 às 21:17
Pedro

De acordo com o portal Tribuna Online, a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de lei que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), com a previsão de destinar até R$ 10 bilhões em subsídios para o setor, reacendeu as expectativas do empresariado no Espírito Santo. O estímulo financeiro do governo federal pode colocar novamente em pauta a construção de uma fábrica de fertilizantes no município de Linhares, na região Norte do estado. A ideia original remonta a meados de 2012, quando a Petrobras projetou a instalação de um Complexo Gás-Químico na cidade. O objetivo da planta seria utilizar o gás natural como matéria-prima para a geração de amônia e, consequentemente, a produção de ureia, um insumo essencial para repor nutrientes no solo e maximizar a produtividade agrícola.


A viabilidade de reativar o projeto é fortemente defendida por lideranças do setor produtivo capixaba, que destacam as vantagens logísticas e naturais da região. O consultor empresarial Durval Vieira de Freitas avalia que a produção de gás natural no Espírito Santo supera o consumo local, garantindo o suprimento contínuo para a indústria, restando apenas a atração de um investidor de peso para alavancar o negócio. Na mesma linha, o diretor da Metalvix, José Emílio Brandão, aponta que a alta capacidade de movimentação de cargas dos portos capixabas, aliada aos incentivos atrelados à Sudene e à Zona de Processamento de Exportação (ZPE), tornam o estado um ambiente altamente propício para o investimento. Além das vantagens regionais, o presidente da Metalosa, Lúcio Dalla Bernardina, enfatiza o caráter estratégico da fábrica para garantir a autossuficiência do país na produção de fertilizantes, beneficiando diretamente culturas de grande relevância, como o café.


Apesar do otimismo do mercado e do enorme potencial de agregar valor à cadeia do gás natural — que também permitiria a fabricação secundária de produtos como melamina, metanol e ácidos industriais —, a concretização do complexo esbarra nas diretrizes atuais da petroleira. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Petrobras informou que a construção de uma fábrica de fertilizantes no Espírito Santo não consta no Plano de Negócios 2026-2030 da companhia, não havendo qualquer previsão para a sua execução no momento. Enquanto a proposta do Profert segue para análise no Senado Federal, o setor industrial local mantém a expectativa de que o avanço da política de subsídios possa, futuramente, reverter esse cenário e viabilizar o polo gás-químico em Linhares.

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