Área de soja no Brasil deve estabilizar na safra 2026/27 após décadas de crescimento, aponta Rabobank
Novo cenário transfere o foco da expansão de terras para o aumento de produtividade e a adoção de tecnologia.
Após mais de duas décadas de expansão contínua, a área cultivada com soja no Brasil deverá entrar em um período de estabilização. De acordo com um novo relatório do Rabobank, a safra 2026/27 marcará um ponto de inflexão para o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa, com o crescimento futuro da produção passando a depender cada vez mais de ganhos de rendimento em detrimento da abertura de novas áreas. O banco estima que a área plantada com soja alcançou cerca de 49 milhões de hectares na temporada 2025/26, período em que a produção registrou o recorde de 182 milhões de toneladas. Nos últimos 25 anos, a área agrícola avançou a uma taxa média anual de 4%, o que permitiu ao Brasil elevar sua participação na produção global do grão de cerca de 28% em 2010 para aproximadamente 42% em 2026.
Contudo, a avaliação do banco é de que a era de rápida expansão de áreas está chegando ao fim. Desde a safra 2022/23, o aumento nos custos de produção (especialmente de fertilizantes), a queda nos preços internacionais da soja, a valorização do real e as elevadas taxas de juros reduziram os incentivos financeiros para a incorporação de novas terras. Como resultado, os produtores redirecionaram seu foco para a melhoria da produtividade, a otimização das propriedades já existentes, a gestão de riscos e a preservação do fluxo de caixa. Para a temporada 2026/27, o Rabobank projeta a produção brasileira de soja em cerca de 178 milhões de toneladas, levemente abaixo do recorde anterior, refletindo o retorno a patamares médios de rendimento após duas safras de produtividade acima da tendência. O relatório alerta ainda que modelos climáticos indicam alta probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, o que pode reduzir os rendimentos em diversas regiões produtoras do país e dar sustentação aos preços internacionais da commodity, embora o potencial de crescimento a longo prazo do Brasil permaneça intacto, agora guiado pela eficiência no uso da terra.
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