70% dos agricultores dos EUA não conseguirão comprar todo o fertilizante necessário, aponta pesquisa
Levantamento da AFBF alerta que altos custos ameaçam a produtividade americana e podem impactar a oferta e os preços dos alimentos
À medida que o plantio avança nos Estados Unidos, uma pesquisa nacional da American Farm Bureau Federation (AFBF) revela que a maioria dos agricultores não tem condições financeiras para arcar com suas próximas compras de fertilizantes. Realizada entre 3 e 11 de abril com mais de 5.700 produtores, a sondagem mostrou que 70% dos entrevistados consideram os insumos tão caros que não conseguirão adquirir todo o volume necessário para a safra. O impacto da escalada nos custos de fertilizantes e combustíveis reflete-se na saúde financeira do setor: 94% dos respondentes relataram que sua situação econômica piorou ou estagnou desde o ano passado, contra apenas 6% que apontaram melhora.
A análise regional evidencia que o Sul dos EUA é a área mais afetada, onde quase 8 em cada 10 produtores afirmam não conseguir pagar por todo o suprimento exigido neste ano, seguido pelo Nordeste (69%), Oeste (66%) e Centro-Oeste (48%). Esse cenário de incerteza inibiu fortemente as compras antecipadas. Apenas 19% dos agricultores sulistas travaram os custos antes da temporada de plantio, índice que sobe para 30% no Nordeste e 31% no Oeste. No Centro-Oeste — polo agrícola americano —, embora 67% tenham feito reservas antecipadas, quase um terço dos produtores relatou ter iniciado a temporada sem garantir toda a sua necessidade de adubação. Segundo a AFBF, muitos agricultores planejam suspender as aplicações iniciais nesta primavera, apostando em um recuo futuro dos preços para patamares acessíveis.
O presidente da entidade, Zippy Duvall, demonstrou grande preocupação com os desdobramentos dessa retração no campo. "Sem os fertilizantes necessários, enfrentaremos rendimentos menores e alguns agricultores reduzirão totalmente suas áreas de plantio, o que impactará o fornecimento de alimentos e rações", alertou. Duvall ressaltou que, embora ainda seja cedo para prever o impacto exato na disponibilidade e nos preços dos alimentos a longo prazo, o cenário acende uma "luz de alerta" que já foi levada às autoridades em Washington, com quem o setor espera trabalhar para encontrar soluções que garantam a continuidade da produção.
⚠️ Essa análise é só um recorte.
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