USDA projeta queda no plantio de milho nos EUA em 2026 devido à guerra no Irã

Altos custos de fertilizantes e combustíveis impulsionam migração para a soja; analistas preveem revisões negativas nas próximas estimativas

Publicado em 2 de abril de 2026 às 19:22
Pedro

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicou nesta terça-feira seu primeiro relatório de intenção de plantio baseado em pesquisas, revelando que os agricultores norte-americanos planejam reduzir a área de milho em favor da soja em 2026. A mudança de estratégia é uma resposta direta à escalada da guerra entre o eixo EUA-Israel e o Irã, que provocou uma disparada nos preços dos combustíveis e, principalmente, dos fertilizantes nitrogenados. Como o milho e o trigo exigem uma aplicação muito mais intensiva de adubos do que a soja, a interrupção do fornecimento de nitrogênio vindo do Golfo Pérsico tornou o cultivo de cereais menos atraente economicamente para os produtores que já enfrentam margens apertadas.


Analistas de mercado alertam que os números divulgados podem ser otimistas demais e não refletem a totalidade do impacto do conflito. As pesquisas que embasaram o relatório foram realizadas na primeira quinzena de março, período em que os efeitos da guerra nas cadeias de suprimento globais ainda estavam em estágio inicial de precificação. Especialistas como Jake Hanley, da Teucrium Trading, acreditam que a estimativa atual para o milho representa o teto para este ano, com grandes chances de o USDA realizar cortes severos nas áreas plantadas em relatórios futuros, à medida que o custo de reposição dos insumos continue a subir.


Somado ao cenário de guerra, o setor agrícola dos EUA lida com uma crise de confiabilidade nos dados oficiais. A taxa de resposta dos produtores à pesquisa de março foi de apenas 37,6%, o nível mais baixo da história, o que gera ceticismo sobre a precisão das projeções em um ano de tamanha volatilidade. Além dos custos de produção, o agricultor norte-americano ainda enfrenta a incerteza da demanda chinesa, severamente impactada pela guerra comercial retomada pela administração Trump no ano passado, criando um cenário de "tempestade perfeita" que combina altos custos de insumos, fretes elevados e barreiras geopolíticas às exportações.

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