Endividamento rural no Rio Grande do Sul motiva mobilização por socorro legislativo no Senado

Com dívidas superando R$ 170 bilhões no Brasil, produtores gaúchos enfrentam crise de fluxo de caixa e apostam no PL 5.122/2023 para alongar prazos

Publicado em 19 de maio de 2026 às 21:47
Pedro

Conforme informações veiculadas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores rurais do Rio Grande do Sul, severamente impactados por uma sequência de quebras de safra, intensificam a pressão por medidas urgentes de renegociação de dívidas. O cenário é marcado pela combinação de juros elevados, baixos preços da saca e eventos climáticos extremos, como secas e inundações. De acordo com dados da Farsul citados pela publicação, o endividamento rural no Brasil ultrapassou a marca de R$ 170 bilhões em janeiro de 2026, com o estado gaúcho figurando entre os mais pressionados. Para muitas propriedades, a produtividade atual — em torno de 25 sacas de soja por hectare — é insuficiente para cobrir sequer os custos operacionais, estimados em 30 sacas, sem considerar o passivo acumulado de ciclos anteriores.


Diante da asfixia financeira, as famílias têm recorrido a estratégias extremas para manter a viabilidade mínima do negócio:

• Desmobilização de Ativos: Venda de maquinário novo e até de partes das propriedades para honrar compromissos imediatos, enfrentando agora a escassez de compradores em um mercado local igualmente descapitalizado.

• Diversificação de Renda: Inclusão de novas culturas, como trigo, canola e aveia, além da integração com a pecuária para servir como uma espécie de "seguro" contra as perdas recorrentes na soja.

• Desbancarização: Busca por negociações diretas com fornecedores via Cédulas de Produto Rural (CPRs) na tentativa de evitar taxas bancárias proibitivas, que em linhas de crédito pessoal podem atingir patamares de até 76% ao ano.


A principal expectativa do setor está depositada no Projeto de Lei 5.122/2023, que deve ser votado nesta terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A proposta prevê mecanismos para o alongamento de prazos — com pleitos de 8 a 10 anos — e taxas de juros mais acessíveis. A FPA atua para que a matéria avance antes do lançamento do próximo Plano Safra, visando garantir as condições necessárias para que os produtores consigam reorganizar suas contas e manter a produção ativa.


Fonte: FPA

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