Terminais russos no Mar Negro restringem entregas de grãos por caminhão devido a riscos de segurança

Aumento de ataques com drones na região e restrições prévias no Mar de Azov levam terminais de Novorossiysk e Taman a limitar o recebimento rodoviário, impactando rotas de exportação para Egito e Turquia.

Publicado em 29 de julho de 2026 às 14:12
Pedro

Três importantes terminais russos de exportação de grãos no Mar Negro restringiram as entregas por caminhão em decorrência dos crescentes riscos à navegação e do redirecionamento de fluxos após sanções logísticas no Mar de Azov, conforme relataram cinco fontes do setor à Reuters. A Rússia, principal exportadora global de trigo, já havia limitado a navegação pelo Mar de Azov no início de julho, após ataques de drones ucranianos atingirem graneleiros russos em uma rota responsável por cerca de 25% das exportações de grãos do país.


Com as restrições no Mar de Azov e o fechamento quase imediato do porto de Kavkaz, o escoamento de grãos das regiões sulistas foi redirecionado para terminais em alto-mar no Mar Negro por meio de rodovias e ferrovias. No entanto, a escalada de ataques a portos da região intensificou a cautela dos operadores logísticos. Os terminais afetados pela restrição ao transporte rodoviário são o NZT e o KSK (localizados no porto de Novorossiysk) e o ZTKT (no porto de Taman), que juntos possuem capacidade para expedir mais de 20 milhões de toneladas anualmente — um volume expressivo considerando que as exportações russas totais por via marítima giram em torno de 50 milhões de toneladas.


Enquanto os terminais de Novorossiysk mantêm a aceitação de grãos via ferrovias vindas do sul do país, o terminal ZTKT opera exclusivamente com entregas rodoviárias, sendo fortemente impactado. Os complexos atendem compradores essenciais do trigo russo, como Egito e Turquia. Além disso, a circulação de embarcações no porto de Novorossiysk continua proibida durante o período noturno devido a ataques de drones ocorridos há uma semana. Os grupos Demetra e Delo, controladores dos terminais, optaram por não comentar o cenário.


Diante do quadro de vulnerabilidade nas rotas do sul, fontes indicam que a Rússia busca diversificar seus corredores de exportação, elegendo os portos da região do Báltico como a alternativa mais segura para o curto prazo. A rota do Mar Cáspio também é avaliada, mas esbarra em limitações operacionais — sendo voltada prioritariamente ao Irã — e em riscos geopolíticos agravados pelo conflito no Oriente Médio e por recentes ataques ucranianos a embarcações iranianas, mantendo os embarques estagnados desde meados de julho.

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