Rússia estuda banir exportações de diesel e importar combustíveis após ataques a refinarias

Restrições operacionais provocadas por drones derrubam produção de gasolina em 25% e forçam medidas de racionamento na Crimeia

Publicado em 29 de junho de 2026 às 22:06
Pedro

A Rússia avalia a imposição de um veto às exportações de diesel e a concessão de subsídios para a importação de combustíveis como medidas emergenciais para conter o desabastecimento doméstico. O anúncio foi feito pelo vice-primeiro-ministro, Alexander Novak, durante reunião ministerial televisionada nesta terça-feira. A crise de abastecimento, intensificada por ataques consecutivos de drones ucranianos contra a infraestrutura de refino do país — incluindo a refinaria de Moscou —, tem provocado alta de preços, longas filas em postos e limitação nas vendas de derivados em diversas regiões russas.


O presidente Vladimir Putin manifestou-se publicamente pela primeira vez sobre as recentes ofensivas à infraestrutura civil, classificando-as como um estratagema para desestabilizar a sociedade e cobrando do gabinete medidas adicionais para mitigar os impactos operacionais. Para tentar equilibrar o mercado interno, companhias petrolíferas russas adiaram manutenções programadas em refinarias e passaram a queimar estoques de reserva. Paralelamente, o governo prepara emendas na legislação tributária para incentivar o direcionamento de volumes adicionais ao mercado local.


A escassez já afeta severamente a Península da Crimeia. Em Sebastopol, base da Frota do Mar Negro, o governador instalado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, decretou medidas temporárias de racionamento de energia e restrição da vida pública. O transporte coletivo terá as atividades encerradas às 22h, enquanto grandes comércios e cafés deverão fechar às 20h. A iluminação pública foi reduzida e eventos de massa ao ar livre foram proibidos, somando-se às cotas de racionamento de combustíveis já vigentes.


De acordo com fontes do setor, a produção russa de gasolina na última semana registrou uma queda de cerca de 25% em relação à média diária de junho de 2025. O impacto logístico também se reflete no mercado externo: as exportações marítimas de derivados de petróleo recuaram aproximadamente 15% na primeira quinzena de junho frente ao mesmo período de maio, reflexo direto das paradas não planejadas para reparos em plantas atingidas. Diante do quadro, o país — que já proíbe a exportação de gasolina e combustível de aviação — planeja recorrer a importações via mar ainda neste mês de junho para suprir o déficit de gasolina e estuda subsidiar o produto importado para evitar o repasse de custos ao consumidor final e conter pressões inflacionárias.


A potencial suspensão dos embarques de diesel pode alterar os fluxos comerciais globais do derivado. Até então, as exportações russas vinham mostrando resiliência, registrando alta de 8% em abril (3,25 milhões de toneladas) na comparação com março e mantendo-se estáveis em maio. O Brasil e a Turquia figuram atualmente entre os principais destinos internacionais e compradores do diesel de origem russa.


Fonte: Reuters

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