Rússia e Ucrânia trocam acusações sobre ataques a portos e impactos na segurança alimentar global
Moscou acusa Kiev de desestabilizar mercados após danos em Novorossiysk, enquanto autoridades ucranianas denunciam ataques sistemáticos contra Izmail e bloqueio marítimo.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou a Ucrânia de provocar "caos" no mercado global de alimentos ao alvejar embarcações comerciais e infraestruturas agrícolas. A declaração de Moscou surge na esteira dos ataques contra os terminais graneleiros de Novorossiysk — que suspenderam as operações no principal porto de exportação de trigo russo —, com as autoridades russas argumentando que tais ações geram riscos severos ao suprimento internacional de grãos.
Em resposta, o Centro de Comunicações Estratégicas da Ucrânia classificou as declarações russas como uma tentativa manipulativa de transferir responsabilidades, destacando o histórico de bombardeios de Moscou contra complexos portuários civis. Entre os episódios recentes, a entidade ressaltou o ataque russo de 13 de agosto contra o porto fluvial de Izmail, uma das principais vias remanescentes de escoamento agrícola ucraniano pelo Rio Danúbio. As autoridades ucranianas também lembraram os repetidos alertas da ONU sobre a insegurança alimentar decorrente do bloqueio militar russo aos portos do Mar Negro desde a quebra da Iniciativa de Grãos de 2022.
A escalada bélica mantém as rotas comerciais sob forte restrição física e operacional:
• Colapso nos Embarques Ucranianos: As exportações de grãos da Ucrânia registraram queda de 75% na primeira quinzena de agosto de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, forçando a migração para modais terrestres e fluviais de capacidade limitada.
• Recusa Diplomática: A Ucrânia propôs, por meio de intermediários internacionais, a interrupção mútua de ataques contra navios e instalações civis no Mar Negro, mas a proposta de trégua foi categoricamente rejeitada pelo governo russo.
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