Relatório do IGC projeta queda na produção global de grãos para 2026/27 em meio a incertezas com fertilizantes

Após safra recorde, temores sobre custos de insumos pesam no Hemisfério Sul, mas colheita e comércio de soja caminham para máximas históricas

Publicado em 23 de abril de 2026 às 21:20
Pedro

Embora a produção global de grãos caminhe para estabelecer um recorde absoluto na atual temporada comercial, o Conselho Internacional de Grãos (IGC) projeta que o volume total do ciclo 2026/27 sofra uma redução de 2%, com quedas antecipadas em todas as principais culturas. De acordo com o relatório de mercado divulgado nesta quinta-feira (23), a safra 2025/26 deve fechar com um expressivo avanço de 6% na comparação anual, totalizando 2,474 bilhões de toneladas. Esse resultado robusto é puxado pela produção de trigo, estimada em 845 milhões de toneladas (alta de 5% sobre 2024/25), e pelo milho, que deve atingir o volume histórico de 1,324 bilhão de toneladas, um salto de quase 7% em relação ao ano anterior.


Para a próxima temporada (2026/27), no entanto, o cenário muda de figura e o IGC alerta que vários fatores deverão suprimir o potencial produtivo global. A principal apreensão recai sobre a acessibilidade financeira e as decisões de aplicação de fertilizantes pelos produtores. Esses gargalos de custos adicionaram fortes incertezas às perspectivas das lavouras, impactando especialmente regiões do Hemisfério Sul, onde o abastecimento de nutrientes para o próximo plantio ainda não está totalmente assegurado. Apesar dos cortes mensais recentes, que retiraram cerca de 3 milhões de toneladas da estimativa, o conselho ressalta que a produção global ainda deverá ser a segunda maior da história, estimada em 2,414 bilhões de toneladas. O relatório pontua que o consumo mundial aumentará pelo quarto ano consecutivo, embora em um ritmo mais lento, enquanto o comércio global de trigo, milho e outros cereais deve permanecer estável na faixa de 448 milhões de toneladas.


Em trajetória oposta aos cereais, a soja é o grande destaque positivo e caminha para estabelecer marcas inéditas na safra 2026/27. Impulsionada pelo ganho de área plantada e pela melhoria na produtividade dos principais países produtores, a colheita global da oleaginosa está projetada em 441 milhões de toneladas, um aumento de 13 milhões em relação à previsão total deste ano. Como reflexo direto dessa farta disponibilidade, o fluxo comercial do grão deve saltar em 4 milhões de toneladas, alcançando o volume recorde de 191 milhões de toneladas. Acompanhando o tom firme da maioria das praças globais, o Índice de Preços de Grãos e Oleaginosas (GOI) do IGC avançou 1% no comparativo mensal, liderado por um salto de 5% nas cotações do arroz. No acumulado anual, o índice geral acumula alta de 4,1%, com os maiores prêmios registrados exatamente pela soja (+9%) e pela cevada (+4,2%).


⚠️ Essa análise é só um recorte.

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