Canal do Panamá não prevê restrições por El Niño em 2026, mas estuda medidas para 2027
Autoridade do canal projeta estabilidade até o fim do ano após período de seca mais úmido desde 1950, embora previsão de fenômeno severo acenda alerta para o comércio global
A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) informou que não espera que o fenômeno climático El Niño, previsto para 2026, afete de forma significativa o trânsito de embarcações na hidrovia até o final deste ano. No entanto, a entidade destacou que a variação climática poderá criar a necessidade de medidas de economia de água a partir de 2027. O cenário atual apresenta uma linha do tempo consideravelmente diferente da enfrentada na crise hídrica de 2023, quando a redução crítica dos níveis de água doce forçou o canal a implementar severas restrições de calado logo no início de março.
De acordo com o comunicado da autoridade, "os dados atuais não preveem a necessidade de restrições de trânsito até 31 de dezembro de 2026". A manutenção da capacidade operacional em 2026 foi favorecida por uma estação seca descrita como a "mais úmida desde 1950", somada ao início do período tradicional de chuvas em maio. Além disso, a ACP implementou com sucesso quatro medidas de conservação a partir de dezembro de 2025 para preservar os níveis dos lagos artificiais Gatún e Alhajuela:
• Passagem simultânea de dois navios pequenos em uma única via;
• Uso de bacias de reciclagem de água nas eclusas maiores (Neopanamax);
• Utilização de portões internos para otimizar o uso da água em embarcações menores;
• Suspensão temporária da geração de energia hidrelétrica no lago Gatún.
Apesar do otimismo para o curto prazo, as projeções climáticas exigem cautela. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima uma probabilidade de 80% de o El Niño se desenvolver entre junho e agosto de 2026, com previsão de ser, no mínimo, moderado, podendo se tornar forte. Em paralelo, dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) divulgados em maio projetaram que há 37% de chance de o fenômeno atingir o nível "muito forte" entre os meses de novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Caso o evento climático alcance a severidade registrada no biênio 2023-2024, os planos da ACP de evitar restrições de calado podem ser frustrados, gerando efeitos em cascata sobre os padrões do comércio marítimo. A dependência do canal aumentou consideravelmente para compradores asiáticos em busca de commodities energéticas do Atlântico, uma consequência direta do recente fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A combinação de eventuais novas interrupções no Panamá com a falta de acesso ao Golfo do Oriente Médio tende a exercer forte pressão de alta sobre as taxas de frete globais em diversos segmentos logísticos.
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