Reabertura do Estreito de Ormuz não deve normalizar tráfego imediatamente, alerta IGC

Especialistas apontam necessidade de varredura de minas, excesso de embarcações represadas e cautela dos armadores como principais obstáculos à retomada plena do fluxo comercial

Publicado em 17 de junho de 2026 às 23:04
Pedro

Mesmo com a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, a normalização do tráfego marítimo deve levar tempo. O economista sênior do International Grains Council (IGC), Alexander Karavaytsev, alertou que a reabertura não resultará em retorno imediato às operações normais, devido à necessidade de varredura de minas e ao represamento de embarcações no Golfo Pérsico durante o período de interrupção. A experiência com as perturbações no Mar Vermelho e no Canal de Suez mostra que os padrões de navegação podem permanecer abaixo da média histórica por anos, segundo o especialista.


Os armadores devem aguardar garantias concretas de segurança antes de comprometer seus navios na rota, e os prêmios de seguro elevados tendem a persistir, atrasando o retorno pleno aos fluxos de carga anteriores à crise. Com o estreito operando atualmente em menos de 10% do volume habitual — frente aos cerca de 20% do petróleo e GNL mundiais e um terço dos fertilizantes que normalmente passam pelo local —, a prioridade na retomada deve ser dada às cargas de energia, seguidas pelo granel seco e pelos contêineres, incluindo grãos e oleaginosas.


No setor agrícola, o impacto mais significativo foi sobre os insumos. Os preços dos fertilizantes subiram e os custos operacionais no campo aumentaram com o encarecimento do combustível marítimo e dos fretes. A reabertura do estreito ainda poderá beneficiar parcialmente a safra atual, embora Karavaytsev destaque que, para grande parte do Hemisfério Norte, as aplicações de fertilizantes para a safra 2026-27 já foram concluídas. Os efeitos mais relevantes devem ser sentidos no Hemisfério Sul, nas culturas de trigo, milho e soja plantadas a partir de setembro.

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