Projeto de fertilizantes verdes no Paraguai ameaçado após governo revogar decreto que garantia tarifa de energia para financiamento

Atome alerta que condição essencial para liberação dos US$ 665 milhões em financiamento segue pendente, menos de dois meses após a decisão final de investimento

Publicado em 17 de junho de 2026 às 23:20
Pedro

A Atome Energy revelou que seu projeto de fertilizantes verdes Villeta, no Paraguai, enfrenta incerteza sobre o acesso ao pacote de financiamento de US$ 665 milhões após o governo paraguaio revogar, em 9 de junho, sem aviso prévio, o decreto presidencial que estabelecia a estrutura tarifária de energia elétrica necessária para a liberação dos recursos pelos credores. O decreto, publicado em janeiro, embasava o acordo de compra de energia (PPA) com a estatal Ande e foi substituído por um novo arcabouço que não preserva a estrutura de preços fixos anteriormente negociada. Sem previsibilidade sobre os custos de longo prazo com eletricidade — insumo central na produção de hidrogênio verde por eletrólise — os financiadores podem se recusar a liberar os recursos.


A empresa, que tomou a decisão final de investimento (FID) no projeto há menos de dois meses, afirmou não haver "nenhuma certeza" de que chegará a um acordo com a Ande que satisfaça as condições exigidas pelos credores. O presidente do conselho, Peter Levine, disse ter recebido garantias "nos mais altos níveis" de que o PPA original seria executado antes do fim de junho e classificou a revogação como um desenvolvimento imprevisto. A Atome busca agora esclarecimentos urgentes junto à Ande e ao governo paraguaio sobre o status do PPA e as tarifas futuras. O projeto Villeta havia sido apresentado pela empresa como um modelo para financiamento de projetos de derivados de hidrogênio verde, com respaldo de instituições como IFC, BID e Banco Europeu de Investimentos, e prevê o fornecimento de 260 mil toneladas de fertilizantes verdes à Yara em um contrato de dez anos.

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