Produção do Kuwait cai pela metade após ataques e bloqueio em Ormuz

Infraestrutura petrolífera enfrenta danos por drones e restrições logísticas que reduziram exportações em 60% durante o mês de março

Publicado em 22 de maio de 2026 às 18:42
Pedro

A produção do Kuwait sofreu uma queda drástica de quase 50% em março, atingindo o menor nível desde 2022, na esteira do conflito entre Estados Unidos e Irã iniciado no final de fevereiro. A produção nacional — excluindo GLP — recuou para 627 mil barris por dia (b/d), frente ao recorde de 1,31 milhão de b/d registrado em fevereiro. O setor petrolífero tem sido alvo frequente de ataques com drones, com as refinarias de Mina al Ahmadi e Mina Abdullah enfrentando paralisações parciais ou totais ao longo de março e abril, enquanto o complexo de al-Zour tem operado com apenas 50% de sua capacidade.


Além dos danos físicos, o bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz impõe severas limitações à exportação, resultando em uma queda de 60% nas vendas externas de derivados em comparação à média de 2025. Os destilados médios foram os itens mais afetados, com recuos acentuados no diesel e no combustível de aviação. Este último também sofreu uma retração drástica na demanda interna, caindo de uma média de 19 mil b/d para apenas 1 mil b/d em março, reflexo direto do fechamento prolongado do espaço aéreo regional — que só iniciou o processo de normalização em 24 de abril e prevê a retomada plena das operações no aeroporto internacional apenas a partir de 1º de junho.


A situação operacional permanece incerta, com o retorno da unidade de Mina Abdullah projetado apenas para o dia 30 de junho. A análise do impacto total das avarias nas refinarias segue complexa, dificultada pela natureza intermitente das operações sob ameaça de segurança. O cenário de restrição logística e produtiva no país reflete o impacto sistêmico do conflito na cadeia de suprimentos da região do Golfo, que ainda busca alternativas para contornar o estrangulamento das rotas marítimas tradicionais.

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