Produção de milho no México deve recuar 2% na safra 2026/27 impulsionada por custos elevados e queda na área de cultivo

Redução na lucratividade induz migração para o sorgo na região do Bajío, enquanto importações do grão avançam para atender à demanda do setor pecuário

Publicado em 29 de junho de 2026 às 22:04
Pedro

A produção de milho no México está projetada em 24,3 milhões de toneladas para o ano comercial 2026/27, o que representa um recuo de 2% em comparação com a temporada anterior. A estimativa de queda é atribuída principalmente ao avanço nos custos de produção combinado aos preços domésticos do grão relativamente baixos, fatores que vêm comprimindo a margem de lucratividade dos agricultores locais.


Como reflexo dos menores estímulos econômicos, a área colhida com milho deve registrar uma contração de 4%, recuando para 6,4 milhões de hectares. As reduções mais expressivas são esperadas nos estados de Jalisco, Michoacán e Guanajuato, regiões que de forma conjunta respondem por aproximadamente 35% do volume total de milho gerado no país. Analistas indicam que parte dos produtores na região do Bajío, em Michoacán, e na área de Valle de Santiago, em Guanajuato, planejam migrar o cultivo de milho para o sorgo, que desponta como uma alternativa mais atraente em razão de seus menores custos de produção.


Em contrapartida, a demanda por milho no mercado mexicano mantém uma trajetória de crescimento contínuo, impulsionada em especial pela expansão dos setores pecuário e de rações. Diante desse cenário de menor oferta interna e consumo aquecido, as importações de milho em 2026/27 devem avançar 2%, atingindo a marca de 27 milhões de toneladas, com os Estados Unidos consolidados como o fornecedor amplamente dominante desse fluxo.


O balanço estatístico da temporada 2025/26 já evidenciava essa forte dependência externa para o abastecimento do mercado doméstico, período no qual o México posicionou-se como o sétimo maior produtor global de milho (24,6 milhões de toneladas), o maior importador do grão no mundo (27 milhões de toneladas) e o quarto principal consumidor global (51,6 milhões de toneladas).


Em direção oposta ao milho, as projeções para as demais culturas de grãos apontam para um cenário de recuperação e crescimento no país. A produção de trigo tem potencial para avançar 14%, alcançando 2 milhões de toneladas, amparada por uma melhora parcial nos níveis dos reservatórios de água nos estados de Sonora e Sinaloa. A produção de arroz deve registrar um incremento de 4%, somando 192 mil toneladas, enquanto o volume de sorgo deve dar um salto de 15%, atingindo 4,2 milhões de toneladas, favorecido por sua estrutura de custo mais competitiva frente às demais culturas de grãos.

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