Produção de etanol da Argentina deve atingir recorde de 1,35 bilhão de litros em 2026, aponta USDA
Impulsionado por safra histórica de milho e flexibilização de mistura para 15%, setor de biocombustíveis avança no mercado interno enquanto exportações de biodiesel recuam.
A produção de etanol combustível na Argentina deve alcançar o volume recorde de 1,35 bilhão de litros em 2026, de acordo com relatório divulgado pelo Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (FAS/USDA). O desempenho histórico é impulsionado pelo avanço do consumo interno e pela ampliação na capacidade de processamento industrial de milho. Do volume total projetado, cerca de 60% será originado a partir do cereal — demandando aproximadamente 3% da safra nacional recorde de 2025/26 —, enquanto os 40% restantes serão provenientes da cana-de-açúcar. O setor conta atualmente com 12 usinas de etanol de milho (sendo uma voltada quase exclusivamente ao uso industrial) e foi beneficiado por uma portaria de março que autorizou distribuidores a elevar voluntariamente a mistura na gasolina para 15%, superando o mandato obrigatório de 12%.
No segmento de biodiesel, a produção argentina também aponta crescimento de 8% em 2026, estimada em 1,2 bilhão de litros. Em contrapartida, as exportações do biocombustível devem enfrentar uma retração de cerca de 26% frente a 2025, atingindo o menor nível registrado desde 2007. Com isso, a indústria local de biodiesel continuará operando com elevada ociosidade, utilizando apenas cerca de 27% de sua capacidade nominal instalada.
A sustentação do ritmo de expansão do setor dependerá de atualizações no marco regulatório do país. Tramitam no Congresso argentino propostas legislativas para fixar o mandato obrigatório de mistura de etanol em 15% e o de biodiesel em 10%. Segundo o USDA/FAS, o aumento das exigências mandatórias, aliado ao desenvolvimento de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e biocombustíveis avançados, tende a alavancar o consumo doméstico de matérias-primas agrícolas e destravar novos aportes industriais na cadeia de bioenergia argentina.
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