Índia caminha para as monções mais fracas em 17 anos com déficit de 15% nas chuvas sob impacto do El Niño
Déficit hídrico ameaça produtividade das safras de soja, milho, algodão e leguminosas, além de reduzir umidade de solo para o plantio de trigo e canola.
A Índia deve registrar sua temporada de monções mais fraca desde 2009. De acordo com estimativas de autoridades do departamento de meteorologia do país, as precipitações acumuladas no período de junho a setembro podem ficar cerca de 15% abaixo da média histórica de longo prazo. O índice representa uma deterioração relevante frente às projeções iniciais, que previam um déficit de apenas 8%, configurando o cenário hídrico mais adverso dos últimos 17 anos.
A escassez de chuvas traz riscos diretos ao agronegócio indiano, uma vez que o regime de monções responde por aproximadamente 70% de toda a precipitação anual do país. De 1º de junho a 24 de agosto, o volume acumulado já ficou 13% abaixo do padrão: o déficit atingiu 35,4% em junho, registrou breve recuperação em julho (+1% acima da média) e voltou a cair cerca de 15% em agosto. O mês de setembro desponta como crítico para a fase de maturação de culturas como soja, milho, algodão e leguminosas (pulses).
Meteorologistas atribuem o agravamento da seca ao fortalecimento do fenômeno El Niño, com previsão de recuo antecipado das monções no noroeste da Índia. Além das perdas nas safras de verão, os baixos níveis de umidade no solo ameaçam o plantio das culturas de inverno (Rabi), especialmente trigo e canola. O cenário eleva a pressão sobre os preços domésticos dos alimentos e reaviva o risco de adoção de restrições às exportações agrícolas pelo governo indiano para conter a inflação interna, impactando diretamente o balanço global de grãos e oleaginosas.
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