Plantio da soja 2026/27 atinge 75,81% em Mato Grosso, mas Imea reduz projeção de safra e aponta alta nos custos

Semeadura avança 23,95 pontos percentuais na semana e favorece janela do milho safrinha em 2027; riscos do El Niño levam a corte na produtividade para 64,82 sc/ha e custo total sobe 6,96%.

Publicado em 26 de outubro de 2026 às 22:47
Atualizado em 27 de outubro de 2026 às 00:24
Pedro

A semeadura da soja referente à safra 2026/27 alcançou 75,81% da área estimada em Mato Grosso até sexta-feira (23/10), segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O ritmo de campo registrou forte aceleração em todas as zonas produtoras após a regularização das chuvas em outubro, apresentando um avanço semanal de 23,95 pontos percentuais. A região Médio-Norte lidera os trabalhos com 96,60% da área semeada, seguida pelo Oeste (86,78%) e pelo Sudeste (59,04%), este último com desempenho adiantado frente ao seu calendário histórico. Mantida a velocidade operacional, o estado deverá ultrapassar a marca de 80% na última semana de outubro, o que amplia a perspectiva de que a maior parte do milho de segunda safra seja implantada dentro da janela climática ideal em 2027.


Apesar do avanço no plantio, o Imea revisou para baixo a estimativa de produtividade da oleaginosa no estado em razão dos riscos climáticos atrelados ao fenômeno El Niño. O rendimento médio projetado passou para 64,82 sacas por hectare, retração de 2,02% ante o ciclo 2025/26, situando a produção total mato-grossense em 50,89 milhões de toneladas (-1,43%). O recuo produtivo ocorre mesmo diante da estimativa de expansão de 0,60% na área plantada, que deve atingir 13,08 milhões de hectares — o menor incremento percentual de área de toda a série histórica do instituto.


Paralelamente à redução na expectativa de colheita, os produtores enfrentam encarecimento no pacote produtivo da temporada 2026/27. Dados atualizados em outubro pelo projeto de acompanhamento do Senar-MT e do Imea indicam que o custo total da soja foi consolidado em R$ 8.210,31 por hectare, alta de 6,96% frente à safra anterior, puxado sobretudo pelo salto de 23,85% nas despesas com operações mecanizadas e pelo acréscimo de 10,10% nos preços dos defensivos agrícolas. O custeio da lavoura somou R$ 4.324,87 por hectare (+3,43%, ou R$ 143,61/ha adicionais entre safras), pressão orçamentária que só não foi maior devido à retração de 21,96% verificada nos valores das sementes.

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