Paralisia logística no Mar Negro e de Azov ameaça até 35 milhões de toneladas de trigo russo e derruba preços internos
Bloqueio de portos do Mar de Azov e paralisação dos terminais de Novorossiysk restringem metade da capacidade de embarque de trigo da Rússia.
A Rússia segue sem conseguir normalizar as operações em sua infraestrutura logística de exportação de grãos no Mar Negro e no Mar de Azov, mantendo severas restrições à navegação no Canal Azov-Don e no Estreito de Kerch. O estrangulamento impede o fluxo regular de escoamento nos portos fluviomarítimos de Azov, Rostov-on-Don e Taganrog, complexo responsável por cerca de 25% de todos os embarques externos de grãos do país.
O quadro operacional agravou-se consideravelmente após o ataque registrado em 12 de agosto contra o porto de águas profundas de Novorossiysk, que paralisou as atividades nos três principais terminais graneleiros da região — KSK, NZT e NKHP. Essas instalações somam uma capacidade operacional conjunta estimada em 26,1 milhões de toneladas por ano, o que representa aproximadamente metade de todo o volume de trigo exportado pela Rússia. Até 18 de agosto, a operação plena dessas estruturas continuava suspensa.
Os entraves logísticos já geram reflexos imediatos no mercado doméstico russo. Segundo a consultoria ProZerno, os preços internos pagos ao produtor caíram entre 20% e 25% diante do represamento da oferta nas regiões produtoras. Caso a paralisia no corredor sul se prolongue, estima-se que a Rússia deixe de ofertar entre 30 e 35 milhões de toneladas de trigo ao comércio global, provocando uma retração substancial no saldo exportável total da temporada 2026/27.
Mesmo uma eventual retomada em Novorossiysk não eliminará os gargalos logísticos no curto prazo, visto que as rotas do Mar de Azov não dispõem de alternativas imediatas com escala comparável. Os terminais do Mar Báltico despontam como a principal rota de desvio, mas carecem de capacidade instalada suficiente para absorver os volumes historicamente movimentados pelos portos do sul. Paralelamente, a ausência de negociações para conter os ataques mútuos à infraestrutura portuária e marítima mantém elevado o risco de novas quedas nas cotações internas russas e de aperto estrutural no abastecimento mundial de grãos.
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