Justiça russa confisca participação na gigante agrícola Rusagro em nova onda de estatizações
Estado assume controle de 68% da empresa, avaliados em US$ 886 milhões; fundador bilionário é acusado de violar leis anticorrupção
Um tribunal russo determinou nesta terça-feira que Vadim Moshkovich, fundador bilionário da empresa agrícola de capital aberto Rusagro, transfira sua participação na companhia para o Estado. A decisão judicial abrange não apenas as cotas do próprio Moshkovich, mas também as fatias detidas por sua esposa, outros parentes e pelo ex-CEO da empresa, Maxim Basov. Juntas, essas parcelas confiscadas somam o controle de 68% da companhia, com valor estimado em 67 bilhões de rublos (cerca de US$ 886 milhões). Analistas de mercado acreditam que o Estado russo poderá vender a participação futuramente.
Em comunicado, o tribunal justificou a apreensão alegando que Moshkovich violou leis anticorrupção durante seu mandato como membro do Conselho da Federação — a câmara alta do parlamento da Rússia —, representando a região de Belgorod. A província faz fronteira com a Ucrânia e abriga diversas fazendas de suínos operadas pela Rusagro. Classificado na mais recente lista da Forbes como a 51ª pessoa mais rica da Rússia, Moshkovich já havia sido preso em março de 2025 sob acusações de desviar 30 bilhões de rublos (US$ 400 milhões). O magnata declarou-se inocente das acusações de peculato.
O confisco da Rusagro marca uma das apreensões de ativos de maior repercussão promovidas por Moscou desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. O conflito desencadeou o que vem sendo considerado a maior campanha de redistribuição de propriedades na Rússia desde as privatizações da década de 1990. Segundo uma estimativa feita em 2025 pelo escritório de advocacia moscovita NSP, o Estado russo já tomou o controle de mais de US$ 50 bilhões em propriedades privadas, montante que inclui também os ativos abandonados por empresas estrangeiras que deixaram o país após o início da guerra.
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