EUA disparam contra petroleiro iraniano para impor bloqueio no Golfo de Omã

Caça F/A-18 atinge leme do navio 'Hasna'; tática busca estrangular capacidade de armazenamento de petróleo do Irã e forçar concessões

Publicado em 6 de maio de 2026 às 21:08
Pedro

Os militares dos Estados Unidos adotaram métodos cinéticos mais contundentes para garantir o cumprimento do bloqueio naval no Golfo de Omã. Na quarta-feira, um caça F/A-18 Super Hornet, despachado pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM) a partir do porta-aviões USS Abraham Lincoln, disparou contra o leme do petroleiro de bandeira iraniana Hasna (IMO 9212917). A ação ocorreu após a tripulação da embarcação, que tentava furar o cordão naval, ignorar diversos alertas americanos para que interrompesse o movimento ou mudasse de rota.


O ataque foi realizado por volta das 09h00 (horário da costa leste dos EUA). O caça utilizou seu canhão de 20 mm para alvejar a parte superior do leme do navio — que fica fora d'água e vulnerável quando o petroleiro está viajando vazio (em lastro). Com o equipamento desativado, a tripulação foi forçada a interromper seu trânsito em direção ao Irã. Em comunicado oficial, o CENTCOM reiterou que "o bloqueio dos EUA contra navios que tentam entrar ou sair de portos iranianos permanece em pleno vigor".


Implicações estratégicas e pressão sobre o petróleo

A adoção desse método de ataque por caças aprimora a capacidade do CENTCOM de fechar o cerco contra a navegação iraniana sem a necessidade de deslocar navios de superfície ou realizar operações de embarque (abordagem), que exigem muitos militares e envolvem maiores riscos.


Especialistas em rastreamento marítimo haviam observado falhas no bloqueio americano, com petroleiros vazios conseguindo passar pela barreira. Esses navios sem carga são cruciais para o esforço contínuo do Irã de manter sua produção de petróleo em alta, pois servem como armazenamento flutuante extra. Esse espaço em alto-mar tem permitido que Teerã adie o momento crítico em que seria obrigada a fechar poços de petróleo por falta de locais de estocagem — uma medida extrema que pode causar danos permanentes aos poços e perdas de produção a longo prazo.


A estratégia do governo americano consistia justamente em usar a falta de armazenamento como um "relógio-bomba", aumentando a pressão econômica para forçar o Irã a ceder em concessões políticas. Ao neutralizar os petroleiros vazios antes que cheguem aos portos iranianos, os EUA buscam cortar essa rota de alívio logístico e acelerar o estrangulamento da indústria petrolífera do país.

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