Irã mantém diplomacia ativa via Paquistão e planeja formalizar gestão do Estreito de Ormuz
Teerã afirma que recebeu emendas dos EUA mesmo após rejeição pública e recusa exigências sobre programa nuclear; nova regulação para a hidrovia deve ser revelada em breve
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio de seu porta-voz Esmail Baghaei, confirmou nesta segunda-feira (18) que as negociações com os Estados Unidos continuam ativas, contrariando a retórica cada vez mais agressiva do presidente Donald Trump, que recentemente classificou as propostas iranianas como "lixo inaceitável". Segundo Teerã, apesar das negativas públicas de Washington, o diálogo avançou mediante a troca de contrapropostas e emendas intermediadas pelo Paquistão, com o envio mais recente da resposta iraniana ocorrendo no domingo (17). O impasse central permanece focado nas exigências nucleares; enquanto a mídia estatal relata que os EUA exigem o fechamento de quase todas as instalações e a transferência do urânio altamente enriquecido, Baghaei reiterou que o direito do Irã de enriquecer urânio, assegurado pelo Tratado de Não Proliferação (TNP), é inegociável.
Paralelamente às negociações de cessar-fogo, o Irã avança para consolidar seu controle físico sobre a logística global de energia. O chefe do conselho de segurança nacional do parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, anunciou que uma nova estrutura legal para gerenciar formalmente o tráfego no Estreito de Ormuz foi concluída e será "revelada em breve". O mecanismo prevê que apenas embarcações comerciais de partes que cooperem com o Irã poderão transitar pela hidrovia, fechando explicitamente a rota para operadores associados à Operação Project Freedom dos EUA. A nova regulação, que está sendo desenhada em contato contínuo com Omã, eleva os riscos de estrangulamento prolongado da cadeia de suprimentos e reforça o bloqueio físico na principal artéria energética do Oriente Médio.
Deixe um comentário
Comentários (0)