Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz ao cumprimento de compromissos pelos EUA

Presidente do Parlamento iraniano afirma que hidrovia permanecerá bloqueada após expiração de memorando de 60 dias, mantendo o fluxo naval em níveis mínimos históricos.

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 20:55
Atualizado em 18 de agosto de 2026 às 21:00
Pedro

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou nesta terça-feira que o país manterá o Estreito de Ormuz fechado até que os Estados Unidos cumpram as contrapartidas estabelecidas no acordo de cessar-fogo firmado em junho. O Memorando de Entendimento (MoU), assinado em 18 de junho, previa uma janela de 60 dias — expirada na última segunda-feira — para negociar o encerramento do conflito, um pacto sobre o programa nuclear iraniano, a livre navegação na região e o alívio das sanções econômicas impostas a Teerã.


O arranjo ruiu em meados de julho em meio a impasses sobre o controle operacional da hidrovia, resultando em ataques iranianos contra navios comerciais e na reimposição do bloqueio naval por parte de Washington. Líder da equipe negociadora iraniana, Ghalibaf acusou o governo norte-americano de descumprir suas obrigações para compensar derrotas políticas. O parlamentar reiterou que a passagem marítima não será liberada sem a suspensão do bloqueio, o desbloqueio de ativos financeiros iranianos congelados, o fim do embargo ao petróleo e a interrupção de operações e ameaças militares contra o país.


Apesar de as hostilidades diretas terem arrefecido nas últimas semanas, as ações intermitentes contra a frota mercante continuam restringindo severamente a navegação internacional. No dia 16 de agosto, apenas 12 embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz (oito entrando e quatro saindo), um volume drasticamente inferior à média superior a 100 travessias diárias registrada antes da deflagração do conflito no final de fevereiro.

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