Indústria europeia de fertilizantes enfrenta crise e reduz 40% da capacidade de amônia

Altos custos do gás natural e pressões climáticas impulsionam fechamento de fábricas e busca por tecnologias alternativas no continente

Publicado em 19 de junho de 2026 às 11:49
Pedro

A indústria de fertilizantes da Europa atravessa sua pior crise em uma década, operando com mais de 40% de sua capacidade de produção de amônia sintética ociosa ou reduzida. O cenário é impulsionado pela alta dependência de energia e pelos preços do gás natural no continente, que chegam a ser de US$ 250 a US$ 300 mais caros por tonelada em comparação aos Estados Unidos e ao Oriente Médio. Essa disparidade estrutural forçou gigantes do setor, como a Yara International e a CF Industries Holdings, a fecharem ou limitarem fábricas locais e redirecionarem seus investimentos para a América do Norte e África. Como resultado, o mercado europeu foi inundado por insumos mais baratos oriundos do exterior, elevando a dependência do bloco de 10% em 2020 para quase 30% em 2026.


A entrada em vigor da fase definitiva do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia em 2026 adicionou uma nova camada de pressão sobre os produtores regionais. Embora a regulamentação exija que os importadores também comprem certificados de emissão, o custo total do produto estrangeiro continua imbatível devido à matéria-prima mais barata em seus países de origem. Enquanto as fábricas europeias gastam atualmente de 40 a 50 euros por tonelada de amônia em custos climáticos, a expectativa é de que essas licenças ultrapassem a marca de 120 euros até 2027. Isso amplia substancialmente a desvantagem competitiva e afasta o investimento privado em tecnologias caras de transição, como os projetos de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS), que o setor alega necessitarem de subsídios urgentes.


Para tentar contornar a crise e a dependência do gás, empresas e centros de pesquisa correm para testar rotas de produção sustentáveis, com foco na amônia verde e na gaseificação de biomassa. Projetos-piloto espalhados por países como Suécia, Espanha e Alemanha já avaliam o uso de hidrogênio gerado por energia solar e eólica, além do aproveitamento intensivo de resíduos agrícolas e florestais. No entanto, o alto custo operacional dessas frentes limpas ainda as impede de substituir a rota fóssil tradicional no curto prazo. O setor alerta que, se não houver um apoio institucional robusto para a transição energética, a capacidade de produção de amônia em solo europeu poderá ser reduzida pela metade nos próximos anos, consolidando a total dependência do mercado externo.

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