Indígenas bloqueiam acesso a planta de amônia no México após 12 anos de conflito e ameaçam paralisar obra a 80% de conclusão
Comunidades Yoreme-Mayo exigem suspensão da construção em Topolobampo como condição para retomar diálogo com o governo, enquanto pedem ao banco alemão KfW que reconsidere financiamento do projeto
Ativistas indígenas bloquearam antes do amanhecer de segunda-feira a estrada de acesso à planta de amônia em construção em Topolobampo, no estado de Sinaloa, no México, escalando um conflito que se arrasta há 12 anos. O projeto, desenvolvido pela suíça Proman Gas y Petroquímica de Occidente (GPO), está a poucos meses de ser concluído e já se encontra 80% pronto. Os líderes do movimento Yoreme-Mayo afirmam que não participarão de novas negociações com o governo federal enquanto a construção não for suspensa, e denunciam que o empreendimento ameaça o ecossistema da Baía de Ohuira — uma área úmida listada pela Convenção de Ramsar —, o modo de vida tradicional das comunidades e a economia pesqueira local.
A obra foi originalmente iniciada em 2015, paralisada em 2022 por decisão da Suprema Corte mexicana por falta de consulta prévia adequada às comunidades indígenas e retomada após um novo processo de consulta contestado pelos opositores, no qual quatro comunidades diretamente afetadas votaram contra o projeto, mas foram superadas pela inclusão de sete comunidades adicionais consideradas menos impactadas. O governador tradicional Yoreme, Felipe Montaño, convocou o banco alemão KfW, financiador do projeto, a reconsiderar seu apoio, classificando o empreendimento como potencial causa de um "etnocídio e ecocídio". O encampamento reunia cerca de 200 pessoas na tarde de segunda-feira, e protestos solidários já ocorreram em cidades como Monterrey, Culiacán e Cidade do México.
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