Índia assegura insumos para safra Kharif e isola mercado contra crise em Ormuz
Segundo o governo indiano, estoques excedentes de sementes e defensivos garantem o plantio de monção; estratégia de amônia verde visa economia de US$ 2,5 bilhões
O Ministério da Agricultura da Índia confirmou nesta quarta-feira (1º de abril) que o país possui suprimentos adequados de sementes e defensivos para a próxima safra Kharif, que ocorre durante a temporada de monções (junho-setembro). Durante um briefing interministerial em Nova Deli, a secretária adicional Maninder Kaur Dwivedi informou que, segundo o governo indiano, o estoque atual de sementes é de 1,86 milhão de toneladas, superando a necessidade estimada de 1,66 milhão para culturas essenciais como arroz, soja, milho e leguminosas. No setor de defensivos, a produção nacional acumulada atingiu 261 mil toneladas, volume suficiente para cobrir a demanda de 42 mil toneladas exigidas para o plantio da safra Kharif.
Para enfrentar a volatilidade causada pela guerra no Oriente Médio, o governo indiano detalhou sua estratégia de fertilizantes e segurança energética para este ciclo produtivo. A necessidade total de fertilizantes para a safra de monção é de 39 milhões de toneladas, e o país já conta com um estoque inicial de 18 milhões de toneladas, planejado para ser complementado por produção doméstica e importações diversificadas. Segundo o governo indiano, as autoridades estão promovendo o uso de fertilizantes não convencionais e intensificando a fiscalização contra o desvio de nutrientes para fins não agrícolas para garantir a estabilidade do plantio.
Essa blindagem do setor agrícola indiano ocorre em um momento em que o Estreito de Ormuz permanece sob severa restrição de tráfego, afetando os custos globais de ureia e fosfatados. Em um movimento estratégico sob a Missão Nacional de Hidrogênio Verde, a Índia selou acordos de 10 anos para o fornecimento de 724 mil toneladas anuais de amônia verde com preços travados, o que deve gerar uma economia de US$ 2,5 bilhões em divisas. Ao garantir o fornecimento interno para a safra Kharif e acelerar a transição para insumos com preços fixos, a Índia tenta se posicionar como um porto seguro de estabilidade produtiva frente à incerteza que atinge outros grandes produtores globais dependentes das rotas do Golfo Pérsico.
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