Incidente técnico provoca paralisação temporária na fábrica de amônia da Yara na França

Unidade em Le Havre retoma atividades no mesmo dia, mas histórico de paradas reforça pressão sobre o mercado europeu de nitrogênio

Publicado em 23 de junho de 2026 às 10:57
Pedro

A fábrica de amônia e ureia da Yara, localizada na cidade de Le Havre, na França, sofreu uma paralisação no dia 21 de maio em decorrência de um incidente técnico, mas conseguiu retomar suas operações ainda no mesmo dia, de acordo com relatórios comerciais da Quantum Commodity Intelligence. A instalação possui uma capacidade de produção de aproximadamente 400 mil toneladas de amônia por ano e é considerada um dos principais ativos de fabricação de nitrogênio da companhia na Europa. No entanto, a planta tem registrado múltiplas interrupções não planejadas ao longo dos últimos dois anos. Esse histórico agrava a incerteza geral no fornecimento dentro dos mercados europeus de nitrogênio, que já operam sob forte tensão devido aos impactos do fechamento do Estreito de Ormuz.


Embora o rápido reinício das atividades tenha limitado os impactos imediatos no fornecimento, o incidente soma-se a um padrão preocupante de disrupções operacionais nas instalações europeias. Esse contexto ganha ainda mais peso ao se observar que as importações de amônia pela União Europeia sofreram uma queda abrupta de 42% no primeiro trimestre de 2026, na comparação anual, motivada diretamente pela crise de abastecimento no Oriente Médio. Somado a isso, os preços da amônia no noroeste da Europa já vinham apresentando uma tendência de alta antes mesmo da falha técnica na fábrica francesa, encontrando suporte em um aumento de 3,5% nas cotações do gás natural TTF para o mês de junho.


Até o momento, a Yara não divulgou os detalhes específicos sobre a causa técnica que provocou a interrupção em Le Havre. Paralelamente aos desafios operacionais no continente europeu, a empresa também lida com o desligamento contínuo de sua fábrica de amônia na região de Pilbara, na Austrália. Essa unidade australiana, que é responsável por uma produção anual de 850 mil toneladas de amônia, foi retirada de operação no final do mês de março após sofrer danos estruturais causados por uma queda de energia. Até o momento, a companhia não confirmou um cronograma oficial para a conclusão dos reparos e a retomada das atividades no local.

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