Importações Americanas de Óleo de Cozinha Usado da China Devem Acelerar com Boom de Biocombustíveis
Novas metas de mistura do governo Trump e alta nos custos de energia devido à guerra no Irã impulsionam a demanda pelo insumo, considerado uma alternativa mais barata
As importações americanas de óleo de cozinha usado (UCO, na sigla em inglês) provenientes da China estão prestes a registrar uma forte aceleração. O movimento é impulsionado por dois fatores principais: a entrada em vigor de novas exigências de mistura de biocombustíveis nos Estados Unidos e a escalada dos custos de energia provocada pela guerra no Irã, o que tem tornado essa matéria-prima uma pechincha relativa no mercado global.
De acordo com dados da Kpler, dois carregamentos transportando um total combinado de 339 mil barris de UCO chegaram aos EUA no último mês. Esse volume representa a maior importação registrada neste ano. Cerca da metade dessa carga foi entregue em Port Arthur, no Texas, onde a Valero Energy Corp. opera em parceria com a Darling Ingredients Inc. na instalação da Diamond Green Diesel.
A expectativa é que as importações continuem crescendo. O plano de combustíveis renováveis do governo Donald Trump exige que um volume recorde de biocombustíveis seja misturado aos suprimentos convencionais de diesel e gasolina ainda este ano. As novas cotas de mistura, divulgadas em março, foram elaboradas com o objetivo inicial de impulsionar a demanda para os agricultores americanos, em um momento em que os ataques dos EUA e de Israel ao Irã fizeram com que os preços do petróleo e dos fertilizantes disparassem.
Diante das novas regras, os produtores de combustível lutam para adquirir matérias-primas essenciais para a produção de diesel renovável. O objetivo é aproveitar não apenas os altos preços dos combustíveis no mercado, mas também os prêmios (créditos) vinculados ao cumprimento das chamadas "obrigações de volume renovável" (RVOs) exigidas pelos EUA.
Como reflexo desse aquecimento, o óleo de soja — a matéria-prima mais popular para a produção de diesel renovável — atingiu recentemente seu preço mais alto desde novembro de 2022. Além disso, o prêmio do óleo de soja em relação às importações de UCO na Costa do Golfo dos EUA subiu para o maior patamar em quase quatro anos. Outros insumos também estão encarecendo; os preços do sebo de carne bovina, por exemplo, atingiram recorde em Chicago.
O cenário atual reacende um debate que ganhou força a partir de 2023, quando uma onda de importações de UCO gerou reações negativas por parte de agricultores e grandes processadores de soja americanos, que alegavam concorrência desleal das matérias-primas estrangeiras. Após uma queda acentuada nas compras externas em 2025 e um início de ano lento em 2026, as novas metas mudaram o jogo. Especialistas apontam que a indústria norte-americana não tem escolha a não ser importar, dada a insuficiência de suprimentos domésticos para atender às novas e ambiciosas metas de mistura (RVO).
⚠️ Essa análise é só um recorte.
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