Gabinete da Índia aprova nova política de investimento para ureia após 14 anos para ampliar produção doméstica

Com foco na implantação de 8 a 9 novas plantas e capacidade de 10 milhões de toneladas, o marco regulatório busca reduzir a dependência externa e economizar divisas.

Publicado em 29 de julho de 2026 às 14:08
Pedro

O Gabinete da União do Governo da Índia aprovou uma nova Política Nacional de Investimento para a ureia — a primeira em quase 14 anos —, com o objetivo de viabilizar investimentos em 8 a 9 novas plantas industriais do tipo greenfield e brownfield, totalizando uma capacidade produtiva combinada de 10 milhões de toneladas. O plano de expansão envolverá empresas dos setores público e privado, além de cooperativas, atualizando o marco estabelecido anteriormente pela Política de Novo Investimento (NIP) de 2012.


Entre as principais mudanças trazidas pelo novo modelo estão a separação entre custos fixos e variáveis para garantir maior transparência, a introdução de uma banda de retorno sobre o patrimônio (return-on-equity) com piso de 12% e teto de 16%, e a mitigação do risco cambial por meio da conversão dos custos fixos em rúpias após quatro anos, com base nas taxas de câmbio vigentes. Segundo o ministério de fertilizantes, essas medidas devem gerar uma economia superior a ₹250 crores (ou US$ 2,6 milhões) para cada planta estabelecida sob o novo marco (NIPU-2026) em comparação ao modelo anterior.


Impacto macroeconômico e geração de empregos

Cada uma das futuras unidades contará com capacidade produtiva estimada em cerca de 1,27 milhão de toneladas por ano. Projeções da EY Índia indicam que cada milhão de toneladas de capacidade doméstica capaz de substituir importações pode economizar entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões anuais em divisas estrangeiras, além de aliviar o ônus dos subsídios estatais aplicados à ureia importada.


Para o setor, a iniciativa fomenta um ambiente de maior confiança para aportes em instalações modernas, eficientes e ambientalmente sustentáveis. Estima-se que a construção das plantas gere de 20 mil a 30 mil empregos diretos na fase inicial, além de aproximadamente 50 mil postos de trabalho diretos e indiretos na operação. Ademais, fontes apontam que o programa inclui incentivos por oito anos para unidades comissionadas em até cinco anos após a notificação oficial, incluindo a possibilidade de acordos de recompra garantida. A aceleração na busca pela autossuficiência ganhou forte impulso diante das disrupções de importação e alta de custos provocadas pelas recentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, decorrentes do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

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