França corre o risco de zerar excedente exportador de trigo extrabloco em dez anos com queda estrutural da safra
Associação AGPB alerta para perda potencial de mais 6 mi de toneladas até 2036; margens negativas no campo alimentam oposição a cotas para a Ucrânia.
A França pode perder a capacidade de embarcar volumes relevantes de trigo para o mercado internacional ao longo da próxima década caso persista a trajetória de declínio na colheita, alertou a Associação Geral dos Produtores de Trigo da França (AGPB). Em 2026, a produção francesa de trigo brando somou 31,9 milhões de toneladas, registrando uma retração de 4% em relação ao ano anterior e consolidando uma desaceleração contínua desde o recorde de cerca de 41 milhões de toneladas colhido em 2015. Pelas projeções da entidade, a manutenção desse ritmo implicará a perda de mais 6 milhões de toneladas na produção de trigo brando até 2036.
A retração estimada equivale exatamente ao excedente exportável que a França prevê destinar a países fora da União Europeia na temporada atual. Com isso, uma nova contração produtiva eliminaria o saldo comercial que sustenta a relevância geopolítica e mercantil do país no comércio global da commodity.
A AGPB atribui o declínio aos impactos de um clima cada vez mais quente e seco sobre as produtividades médias e ao encolhimento da área plantada gerado pela baixa rentabilidade da atividade. Os orizicultores e produtores de grãos franceses caminham para o quarto ano consecutivo de margens operacionais líquidas negativas em 2026, com os repiques nas cotações dos grãos sendo amplamente neutralizados pela escalada nos custos dos fertilizantes. Nesse contexto financeiro frágil, a entidade posiciona-se contrária à ampliação de cotas de importação para o trigo ucraniano pela UE, sob a justificativa de que fluxos adicionais pressionarão ainda mais as cotações no mercado comunitário e inviabilizarão financeiramente a produção local.
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