Estoques de óleo de palma na Malásia registram maior queda em três anos devido à guerra no Irã

Incerteza logística no Oriente Médio impulsiona exportações em 37% e leva contratos futuros ao maior patamar desde 2024

Publicado em 2 de abril de 2026 às 19:23
Pedro

Os estoques de óleo de palma na Malásia sofreram uma redução drástica em março de 2026, registrando a maior queda mensal em três anos. De acordo com uma pesquisa da Bloomberg com executivos e analistas do setor, os inventários do segundo maior produtor mundial recuaram 19% em relação ao mês anterior, totalizando 2,19 milhões de toneladas. Este movimento levou as reservas ao nível mais baixo em oito meses, refletindo um salto inesperado na demanda global em meio ao prolongamento do conflito no Golfo Pérsico.


O principal motor dessa redução foi o aumento de 37% nas exportações malaias, que atingiram 1,55 milhão de toneladas em março — o maior crescimento em 20 meses. A interrupção das principais rotas de navegação no Estreito de Ormuz elevou os custos de frete e seguros de guerra, forçando compradores de óleos comestíveis a migrar para alternativas mais baratas e acessíveis. Com a incerteza sobre o fornecimento de óleos de soja e girassol, o óleo de palma tornou-se a opção prioritária no mercado internacional, especialmente após a Indonésia elevar suas taxas de exportação para financiar o programa B50.


Nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, os contratos futuros de óleo de palma na Bolsa de Malásia (BMD) fecharam em alta, acompanhando a valorização do petróleo bruto e a expectativa de estoques ainda mais apertados. O contrato de referência para junho subiu para 4.791 ringgits por tonelada, aproximando-se da resistência de 4.900 ringgits. Além da demanda alimentar, o setor de biocombustíveis continua pressionando as cotações, já que a crise energética global aumentou o apelo do óleo tropical como matéria-prima para o biodiesel em substituição aos derivados de petróleo fóssil, cujos fluxos através de Ormuz permanecem severamente restritos.

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