Custos de produção avançam em Mato Grosso sob pressão de insumos e logística global

Imea projeta margens mais estreitas para a safra 2026/27 com alta acentuada no custeio de soja, milho e algodão

Publicado em 20 de maio de 2026 às 22:05
Pedro

O planejamento da safra 2026/27 em Mato Grosso registra uma elevação estrutural nos custos de produção, impulsionada diretamente pela valorização dos fertilizantes e defensivos agrícolas em um ambiente de forte incerteza geopolítica. De acordo com os dados mais recentes do Imea, o cenário é balizado por gargalos logísticos em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, que mantêm a volatilidade na originação de insumos importados e elevam os níveis de ponto de equilíbrio financeiro para o produtor mato-grossense em todas as principais culturas.


Na soja, o custeio projetado para o ciclo 2026/27 atingiu R$ 4.286,89 por hectare em abril, o que representa uma alta de 1,88% frente ao mês anterior, puxada principalmente pelo avanço de 2,73% nas despesas com fertilizantes e 2,17% nos defensivos. Com uma produtividade estimada em 62,44 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio foi calculado em R$ 68,65 por saca — valor 8,42% superior ao ciclo anterior. No panorama global, embora a produção mundial seja projetada em 441,54 milhões de toneladas, o Brasil deve sustentar uma safra recorde de 186 milhões de toneladas, mantendo a pressão sobre a logística de escoamento.


Para o milho, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.772,24 por hectare, registrando uma elevação mensal de 2,32% devido ao salto de 4,30% nos gastos com fertilizantes e corretivos. O custo operacional efetivo (COE) fechou o período em R$ 5.501,12 por hectare, enquanto o custo total atingiu R$ 7.395,26 por hectare. Com uma produtividade média prevista de 118,71 sacas por hectare, o produtor necessita de um preço de venda de pelo menos R$ 31,78 para cobrir o custeio e R$ 46,34 para arcar com o COE, situando-se muito próximo do preço médio de mercado apurado em abril, de R$ 45,68 por saca. Globalmente, a menor oferta norte-americana, projetada em 406,29 milhões de toneladas, tende a favorecer a competitividade do cereal brasileiro no mercado externo.


No algodão, a pressão dos macronutrientes elevou o custeio projetado para R$ 10.642,28 por hectare, uma alta de 1,05% motivada pelas tensões nas rotas de transporte marítimo. O custo operacional efetivo da fibra foi estimado em R$ 15.227,56 por hectare, exigindo que o produtor comercialize a pluma a, no mínimo, R$ 127,09 por arroba para garantir a cobertura operacional diante de uma produtividade de 119,82 arrobas por hectare. Apesar dos custos elevados, o cenário de oferta mundial apertada — com queda de 5,38% na produção global, estimada em 25,27 milhões de toneladas.

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