Comissão Europeia avalia liberar mistura de 20% de etanol na gasolina (E20)
Ursula von der Leyen confirma estudo sobre o aumento, mas alerta para compatibilidade de motores; debate ganha força em meio ao déficit no mercado e impactos da guerra no Irã
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a comissão analisará a autorização para uma mistura de 20% de etanol na gasolina (E20) durante a revisão do marco político do bloco para combustíveis. A declaração foi dada em resposta a três eurodeputados alemães, que propuseram a padronização e o lançamento acelerado do E20 sob o argumento de que a medida ajudaria a atingir as metas climáticas sem sobrecarregar os cidadãos. Von der Leyen confirmou que misturas maiores de biocombustíveis podem auxiliar na descarbonização das frotas existentes, mas ponderou que a comissão levará em conta possíveis problemas de compatibilidade dos motores dos veículos atuais e a necessidade de incentivar investimentos em biocombustíveis avançados. Atualmente, a mistura máxima permitida na União Europeia (UE) é de 10% (E10).
O debate sobre o aumento da mistura ocorre em um cenário de disrupções no mercado de combustíveis devido à guerra no Oriente Médio e ao bloqueio do Estreito de Ormuz. O comissário de energia da UE, Dan Jorgensen, destacou recentemente que o uso de biocombustíveis poderia substituir a demanda por matrizes fósseis e aliviar a pressão no abastecimento. Em resposta à crise, países como os Estados Unidos e a Argentina já flexibilizaram suas regras para permitir a oferta de misturas maiores (E15) para conter a alta nos preços das bombas. Na Europa, no entanto, os efeitos do conflito encareceram o próprio etanol, levando países como a Romênia a retirarem a obrigatoriedade de 8% de mistura na gasolina para frear os custos para o consumidor final.
A possível adoção do E20 dobraria o potencial de mistura em um mercado europeu de etanol que já iniciou o ano estruturalmente deficitário. Em 2025, o bloco importou mais de 1 milhão de toneladas do produto. A oferta pode contar com o alívio da aplicação provisória do acordo comercial UE-Mercosul, que entra em vigor em 1º de maio e permitirá tarifas de importação reduzidas para 200 mil toneladas anuais, com implementação gradual ao longo de seis anos.
Por outro lado, o aumento dos mandatos biológicos adicionará ainda mais pressão sobre o mercado europeu de gasolina. A Europa é estruturalmente excedente na produção de gasolina, e a queda nas exportações para os Estados Unidos e a África Ocidental — que se tornaram mais autossuficientes — resultou em estoques acima das médias históricas. Com a redução da demanda e o mercado excessivamente ofertado, as refinarias europeias já começaram a desacelerar a produção do combustível fóssil.
⚠️ Essa análise é só um recorte.
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