Preços globais de alimentos mantêm estabilidade em maio, aponta índice da FAO

Queda nas cotações de óleos vegetais compensou altas nos cereais e no açúcar; organização também alerta para riscos logísticos no Oriente Médio e projeta queda na safra mundial de grãos

Publicado em 8 de junho de 2026 às 22:32
Pedro

O índice de referência para os preços mundiais de commodities alimentares permaneceu amplamente estável em maio de 2026, de acordo com dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Índice de Preços de Alimentos da entidade registrou uma média de 130,8 pontos no mês, apontando uma leve queda de 0,2% em relação ao nível revisado de abril, mas situando-se 2,9% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. A estabilidade geral foi sustentada por um recuo significativo nas cotações dos óleos vegetais, que neutralizou as altas observadas nos grupos de cereais e açúcar.


A variação do índice em maio refletiu dinâmicas mistas entre os diferentes grupos de alimentos acompanhados pela organização. O grupo dos cereais apresentou alta de 2,6% no mês e quase 5% no comparativo anual, com os preços mundiais do trigo avançando 3,4% devido a expectativas de safras menores em grandes exportadores, como os Estados Unidos, enquanto o milho e o arroz subiram 1,9% e 2,7%, respectivamente. Já o açúcar deu um salto de 7,5% em relação a abril, impulsionado pela perspectiva de que o Brasil destine uma parcela maior de sua cana-de-açúcar para a produção de etanol e por preocupações com os impactos do fenômeno El Niño sobre as futuras safras da Índia e da Tailândia. Em contrapartida, os óleos vegetais registraram uma queda expressiva de 4,6%, marcando o primeiro recuo mensal em 2026, sob influência da retração nas cotações internacionais dos óleos de palma e de soja. Fechando o balanço, o índice de laticínios apresentou ligeira queda de 0,5%, puxado pela redução nos preços globais da manteiga, e o de carnes registrou estabilidade técnica, com um leve avanço de 0,1%.


Apesar da estabilidade do índice geral, a FAO demonstrou forte preocupação com fatores externos que encarecem os custos de produção do agronegócio global, como as cotações de combustíveis e fertilizantes. Boubaker Ben-Belhassen, diretor da divisão de Mercados e Comércio da entidade, destacou que a alta nos cereais sublinha a vulnerabilidade do setor a esses choques sistêmicos e climáticos. O diretor avaliou que a contínua incerteza afetando rotas comerciais importantes, incluindo o Estreito de Ormuz, pode reduzir o uso de fertilizantes e colocar pressão adicional sobre os preços dos alimentos, o que ressalta a necessidade de uma ação internacional coordenada.


Junto ao balanço de preços, a FAO publicou seu mais recente relatório de oferta e demanda, prevendo um cenário de encolhimento para o mercado agrícola no ciclo que se inicia. A produção mundial de cereais na temporada 2026/27 deve sofrer uma contração de 2% na comparação anual, caindo para 2,982 bilhões de toneladas, em um declínio puxado predominantemente pela retração nas estimativas de colheitas de trigo. Como reflexo desse cenário produtivo mais restrito, o comércio global de cereais também deverá recuar 0,3% no próximo ano, totalizando 507,2 milhões de toneladas, visto que a expectativa é que a diminuição nos volumes transacionados de trigo e cevada supere as projeções de aumento para os embarques internacionais de milho e arroz.

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