Estoque de DAP no Paquistão cresce em junho com demanda enfraquecida e preços elevados
Com consumo reprimido e custos internacionais pressionados por gargalos no Oriente Médio, país deve permanecer fora do mercado global de importação em 2026.
Os estoques de fosfato diamônio (DAP) no Paquistão registraram um aumento de 48 mil toneladas em junho de 2026, atingindo o volume total de 268 mil toneladas — o maior avanço mensal desde janeiro —, impulsionados pela fraca demanda do mercado interno. De acordo com dados da agência NFDC, a produção doméstica desacelerou para 52 mil toneladas, mas ainda assim superou o consumo local de apenas 48 mil toneladas no mês, volume significativamente abaixo da média histórica de 122 mil toneladas para junho. O acúmulo de estoques foi reforçado pela chegada de 45 mil toneladas importadas da Arábia Saudita na segunda metade do mês. A baixa adesão dos produtores rurais decorre dos elevados patamares de preços no país, com a cotação ex-Karachi sustentada acima de 15.000 rúpias por saco de 50 kg, nível que ultrapassa o limite de acessibilidade financeira e incentiva a substituição do fertilizante por fontes alternativas, como o superfosfato simples (SSP) e o nitrofos.
A retração do consumo doméstico e a manutenção de preços globais elevados — sustentados pelo fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, pelas tensões em Bab el-Mandeb e pela forte demanda projetada na Índia e em Bangladesh — devem afastar o Paquistão das importações no segundo semestre. Com margens pressionadas e sem garantias de subsídios governamentais para a cultura do trigo, a estimativa do setor é de que o consumo total de DAP no Paquistão em 2026 não ultrapasse 1 milhão de toneladas, volume cerca de 35% inferior à média anual registrada entre 2021 e 2025. Adicionalmente, a decisão do conglomerado Fauji de manter a produção local próxima da capacidade máxima reduz o espaço para a atuação de importadores privados, consolidando o cenário de fraco dinamismo nas compras externas do país até o final do ano.
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