Coamo capta R$ 500 milhões para construir usina de etanol de milho no Sul do Brasil

Projeto em Campo Mourão (PR) elevará industrialização do cereal da cooperativa para 20% e prevê cogeração de energia para reduzir custos do complexo industrial

Publicado em 22 de abril de 2026 às 20:59
Pedro

A Coamo, uma das maiores cooperativas agroindustriais do país, colocou no mercado uma oferta de notas comerciais escriturais com o objetivo de captar R$ 500 milhões para a construção de uma usina de etanol de milho em Campo Mourão, no Paraná. A operação, coordenada pelo Banco Santander e destinada exclusivamente a investidores profissionais, representa a segunda emissão desse tipo lançada pela cooperativa. Essa captação está inserida no escopo do “Programa Eco Invest Brasil”, uma iniciativa do governo federal voltada ao estímulo da indústria verde e ao financiamento de infraestruturas focadas na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.


Com previsão de conclusão para fevereiro de 2027, a nova unidade processará cerca de 1.700 toneladas de milho por dia. O projeto permitirá à Coamo dar um salto estratégico na agregação de valor à sua originação, elevando o volume do cereal destinado à industrialização dos atuais 3% para cerca de 20% do total recebido de seus cooperados. Em termos de capacidade, a planta poderá entregar diariamente 763,3 mil litros de etanol hidratado (comercializado direto nas bombas) ou 723 mil litros de etanol anidro (utilizado na mistura com a gasolina), aproveitando a crescente demanda por biocombustíveis no mercado doméstico e o forte know-how da cooperativa em originação e logística de commodities.


Estrategicamente anexada ao Parque Industrial da Coamo — que já abriga nove unidades produtivas, incluindo esmagamento de soja, fiação de algodão e moinhos de trigo —, a usina será a primeira da região Sul a produzir etanol exclusivamente a partir de milho. A estrutura incorporará uma tecnologia estrangeira inovadora ainda pouco difundida no Brasil. Além da forte sinergia com a indústria de ração animal, que deve absorver cerca de 15% do volume processado através dos subprodutos (DDGs), o projeto prevê a construção de uma termelétrica acoplada. A unidade cogerará 30 MW de energia elétrica, movimento que promete reduzir os custos operacionais de todo o complexo industrial da companhia, que hoje fatura mais de R$ 28 bilhões anuais e atende quase 73 mil cooperados no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.


⚠️ Essa análise é só um recorte.

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