Ciclone Narelle atinge portos na Austrália e agrava aperto global no mercado de GNL

Terminais de carga em Dampier e Ashburton sofrem danos estruturais; produção de gás doméstico inicia retomada gradual

Publicado em 31 de março de 2026 às 15:17
Pedro

A autoridade portuária de Pilbara (PPA), na Austrália Ocidental, confirmou nesta terça-feira (31) que os portos de Dampier e Ashburton sofreram danos estruturais significativos após a passagem do ciclone tropical Narelle, de categoria 4. Em Dampier, as instalações de importação de carga geral foram severamente atingidas, tornando o cais inoperante. Situação semelhante ocorre em Ashburton, onde o terminal de carga geral permanece fechado para avaliações de engenharia. Por outro lado, o terminal de granéis líquidos em Dampier e o porto de Varanus Island já retomaram as operações, garantindo o suprimento de combustíveis para as minas de minério de ferro da região.


No setor de energia, as gigantes North West Shelf (NWS) e Wheatstone iniciaram uma retomada lenta da produção após serem paralisadas pelo ciclone na semana passada. Segundo o boletim de gás da Austrália Ocidental (AEMO), o fluxo doméstico, que havia despencado de 1.202 TJ/d para 558 TJ/d em 29 de março, deve começar a se normalizar a partir de 1º de abril. A Chevron alertou, entretanto, que a planta de Wheatstone pode levar semanas para atingir sua capacidade total, embora já tenha conseguido reativar um dos trens do terminal Gorgon no último domingo.


A interrupção na Austrália ocorre em um momento de extrema fragilidade para a bacia do Pacífico. Com a paralisação do terminal de Ras Laffan no Catar desde 2 de março, devido à guerra entre EUA e Irã, o mercado global de GNL enfrenta um déficit de oferta sem precedentes. No mercado interno australiano, o corte no fornecimento de gás já forçou refinarias de alumina, como as operadas pela Alcoa, a reduzirem temporariamente sua produção, evidenciando o efeito em cascata dos eventos climáticos sobre a cadeia industrial.

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