Emirados Árabes aceleram novo oleoduto para escoar 4 milhões de barris diários e contornar Ormuz

Expansão logística para o porto de Fujairah visa blindar exportações do país contra os gargalos no Golfo Pérsico após sua saída da Opep+

Publicado em 15 de maio de 2026 às 17:24
Pedro

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) estão intensificando as obras do novo projeto "Oeste-Leste", um oleoduto projetado para dobrar a capacidade de exportação de petróleo da estatal Adnoc a partir do porto de Fujairah. Com previsão de início das operações em 2027, a nova infraestrutura de 48 polegadas terá capacidade para movimentar 1,5 milhão de barris por dia (bpd). Quando somada à linha já existente (Adcop) — que entrou em operação em 2012 e atualmente bombeia entre 1,7 e 1,8 milhão de bpd —, a capacidade combinada de transporte via dutos atingirá cerca de 3,3 milhões de bpd. Ao integrar a robusta infraestrutura de armazenamento de Fujairah, o terceiro maior polo do tipo no mundo, o potencial total de exportação do país por essa rota alternativa poderá alcançar a marca de 4 milhões de bpd.


A urgência na execução da obra, cujos planos foram iniciados no final de 2024, reflete a necessidade estratégica de reduzir a dependência física do Estreito de Ormuz, severamente comprometido pelo conflito atual na região. O estrangulamento da hidrovia teve um impacto direto na extração nacional, limitando a produção dos EAU a 1,9 milhão de bpd em março e 2,02 milhões de bpd em abril, volumes muito inferiores à capacidade instalada de 4,85 milhões de bpd. A busca por segurança operacional ganha ainda mais peso após os EAU deixarem formalmente a aliança Opep+ no início de maio para gerenciar sua oferta de forma independente. Com a consolidação dessa nova via, o país reforça sua posição ao lado da Arábia Saudita como os únicos grandes produtores do Golfo capazes de contornar integralmente as zonas de risco no escoamento de energia.

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