Cessar-fogo com o Irã é estendido, mas bloqueio dos EUA e fechamento de Ormuz impulsionam preços do petróleo
Enquanto Washington aposta na asfixia econômica de Teerã, mercado global perde 12 milhões de barris diários de oferta e negociações diplomáticas entram em compasso de espera
O Estreito de Ormuz permanece amplamente fechado à navegação e o bloqueio naval dos Estados Unidos ao comércio iraniano continua, apesar da decisão do presidente Donald Trump de estender o cessar-fogo por tempo indeterminado. A prorrogação, anunciada na terça-feira, visa dar aos líderes iranianos tempo para elaborar uma proposta que ponha fim ao conflito, atendendo a um pedido dos mediadores paquistaneses.
A administração Trump tem utilizado o bloqueio naval como uma ferramenta de forte pressão econômica. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que os estoques da ilha de Kharg atingirão sua capacidade máxima em questão de dias, o que forçará o fechamento dos poços de petróleo iranianos. "Restringir o comércio marítimo do Irã atinge diretamente as principais fontes de receita do regime", declarou Bessent.
No entanto, a Casa Branca ainda não apresentou uma solução imediata para as paralisações de produção em todo o Golfo e o consequente choque nos preços globais de energia. Segundo Russell Hardy, CEO da trading Vitol, a guerra já retirou cerca de 12 milhões de barris por dia (bpd) de oferta do mercado global, enquanto a demanda recuou apenas 4 milhões de bpd. A incerteza sobre o desfecho do confronto impulsionou os contratos futuros, com o petróleo WTI para maio subindo 3% na terça-feira, cotado a US$ 98,48 por barril.
No cenário doméstico americano, o secretário de Energia, Chris Wright, recuou de sua previsão anterior de que os preços permaneceriam elevados até 2027, após Trump insistir que as cotações cairiam rapidamente com a assinatura de um acordo. Wright declarou ao Senado desconhecer o futuro dos preços da energia, mas pontuou que o varejo de gasolina nos EUA pode já ter atingido seu pico.
Retórica e impasse diplomático
Em Teerã, a percepção é de que o país também possui forte poder de barganha. A agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, publicou que o Estreito de Ormuz continuará "completamente fechado" enquanto durar a ameaça americana e que, se necessário, o Irã romperá o bloqueio naval à força. Horas antes do anúncio de Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, subiu o tom, classificando o bloqueio aos portos e a apreensão de navios comerciais e suas tripulações como "atos de guerra" e violações diretas do cessar-fogo.
A pressão militar segue intensa no mar. O Pentágono informou que o cerco americano já forçou o retorno de 28 embarcações aos portos iranianos desde 13 de abril. Além disso, a Marinha dos EUA apreendeu um petroleiro com óleo cru iraniano no Oceano Índico na terça-feira, dois dias após desativar e confiscar outra embarcação no Mar da Arábia.
No campo diplomático, as perspectivas de uma resolução imediata esfriaram. Embora o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, tenha expressado esperança na conclusão de um acordo de paz amplo em Islamabad, a Casa Branca confirmou que o vice-presidente dos EUA, JD Vance — que liderou as negociações sem sucesso em meados de abril —, cancelou seus planos de viajar ao Paquistão para uma nova rodada de conversas.
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