Cerca de 80 minas paralisam rota principal do Estreito de Ormuz, alerta associação de petroleiros
Diretor da Intertanko aponta riscos de colisão em rotas alternativas e cobra garantias de livre navegação após acordo entre EUA e Irã
Segundo fontes de jornais sauditas, cerca de 80 minas marítimas permanecem alojadas na principal rota de navegação comercial através do Estreito de Ormuz. A avaliação foi apresentada por Philip Belcher, diretor-geral da associação de navios petroleiros Intertanko, que dimensionou a escala do desafio de desminagem dias após os Estados Unidos e o Irã assinarem um memorando de entendimento delineando um caminho para a paz, após mais de três meses de conflito na região. O estreito possui 21 milhas náuticas em seu ponto mais estreito, mas o esquema de separação de tráfego (TSS) principal, que canaliza os navios em faixas de apenas duas milhas náuticas em cada direção, permanece fechado devido aos perigos explosivos.
Durante um seminário online promovido pelo portal marítimo Lloyd's List, Belcher comparou a situação atual ao fechamento das pistas centrais de uma rodovia, forçando o tráfego pesado para o acostamento. O fluxo de embarcações passa atualmente por corredores mais estreitos ao norte, em águas iranianas, e ao sul, em águas de Omã. Sob um regime de operação ininterrupta, essas vias alternativas conseguem lidar com até 80 navios por dia, um volume significativamente menor do que os cerca de 130 trânsitos diários registrados na passagem central em condições normais.
O desvio de rota tem gerado sérios alertas de segurança. O diretor da Intertanko destacou que o corredor sul passa muito próximo a formações rochosas, aumentando substancialmente o risco de encalhe das embarcações. Além disso, a alta concentração de navios operando em um espaço marítimo tão reduzido e com controle limitado eleva consideravelmente o perigo de colisões. A prioridade imediata do setor, segundo Belcher, é a limpeza das minas e a reabertura do corredor central para viabilizar um trânsito seguro.
Apesar de saudar o memorando de entendimento entre Washington e Teerã, o setor logístico global expressa profunda incerteza sobre como o estreito será governado após a retomada integral do tráfego. Uma das maiores preocupações é o papel central concedido ao Irã nas negociações sobre a gestão futura da via. Belcher ressaltou que o governo iraniano não é signatário da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) — tratado em vigor desde 1994 que consagra o direito de passagem por estreitos internacionais. A indústria de navegação exige garantias de que a passagem livre continuará a ser aplicada, alertando que quaisquer futuras restrições ou cobranças de pedágios na região comprometeriam a liberdade de navegação e teriam impactos severos em todo o mundo.
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