Câmara aprova suspensão de dívidas rurais por 36 meses para produtores afetados pelo El Niño

Medida, que antes era restrita ao Matopiba, foi ampliada para todos os estados atingidos por eventos climáticos extremos

Publicado em 12 de maio de 2026 às 21:00
Pedro

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2062/24, que estabelece um fôlego financeiro estratégico para o setor agropecuário brasileiro. A proposta permite a suspensão da cobrança de financiamentos rurais por até 36 meses para produtores que sofreram prejuízos decorrentes de secas ou chuvas excessivas ligadas ao fenômeno El Niño. O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Coronel Meira, que expandiu o benefício para além da região do Matopiba, abrangendo agora produtores de todo o território nacional.


Regras para o pagamento e programas abrangidos

De acordo com a proposta, os pagamentos suspensos só deverão ser retomados 12 meses após o fim da carência de três anos. A quitação do saldo devedor será feita de forma escalonada, em três parcelas anuais. A medida é ampla e cobre operações de crédito em diversos programas fundamentais para o setor, tais como:

  1. Pequenos e Médios Produtores: Pronaf e Pronamp.
  2. Infraestrutura e Inovação: Moderinfra e Inovagro.
  3. Cooperativismo e Industrialização: Prodecoop e Procap-Agro.
  4. Linhas Comerciais: BNDES Agro, BB Investe Agro e custeio pecuário.


Justificativa e cenário climático

O relator enfatizou que a medida é essencial para garantir a segurança alimentar e evitar o colapso financeiro de produtores diante da instabilidade climática. O projeto cita dados da NOAA que reforçam a urgência: a probabilidade de formação do El Niño é de 62% entre junho e agosto de 2026, subindo para mais de 80% no final do ano. Ao preservar a liquidez do produtor, o governo busca assegurar que a capacidade produtiva não seja comprometida por fatores externos fora do controle do setor.


A proposta ainda não é lei. Para entrar em vigor, o texto precisa passar por análise conclusiva nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça (CCJ), além de ser votado nos plenários da Câmara e do Senado.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.