Brasil, Guiana e Argentina se posicionam como alternativa estratégica à crise no Oriente Médio
Durante a OTC em Houston, produtores sul-americanos destacam segurança logística e batem recorde de 6 milhões de barris por dia
Os três principais produtores de petróleo da América Latina — Brasil, Guiana e Argentina — utilizaram a Offshore Technology Conference (OTC) em Houston, na semana passada, para atrair investimentos, destacando suas vantagens competitivas frente à instabilidade no Oriente Médio. O argumento central é a segurança logística: ao contrário dos produtores do Golfo Pérsico, as exportações desses países não dependem de passagens críticas como o Estreito de Ormuz.
Juntos, os três países já atingiram a marca de aproximadamente 6 milhões de barris por dia (b/d) de petróleo bruto, um volume seis vezes superior à produção atual da Venezuela. O Brasil lidera o grupo com um recorde de 4,2 milhões de b/d alcançado em março de 2026, seguido por Guiana e Argentina, ambos com cerca de 900 mil b/d cada.
Destaques por país:
- Brasil: O diretor-geral da ANP, Artur Watt, enfatizou que o petróleo brasileiro oferece uma alternativa real à dependência do Golfo. A agência promoveu o leilão do bloco Mogno no pré-sal e destacou a necessidade de repor reservas para evitar um declínio após 2030. Representantes da Shell reforçaram que, embora o país seja atraente, é preciso manter a estabilidade regulatória para reter o capital global, que está cada vez mais seletivo.
- Argentina: O foco está na formação de xisto de Vaca Muerta. O governo aposta no regime de incentivos Rigi para atrair parceiros capazes de financiar a infraestrutura necessária para transformar a região em um ecossistema lucrativo e sustentável.
- Guiana: O país busca diversificar seus investidores para além do consórcio liderado pela ExxonMobil. O presidente Irfaan Ali defendeu a redução do gap de investimento entre energias renováveis e fósseis para garantir a segurança energética global básica.
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