Trump rejeita contraproposta do Irã e classifica resposta como "totalmente inaceitável"
Sem previsão para o fim da guerra, tensão faz preços do petróleo saltarem 4%; Israel reforça exigência de desmantelamento nuclear
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou a resposta do Irã a um plano para encerrar a guerra como "totalmente inaceitável", indicando que ainda não há um fim à vista para o conflito. "Acabei de ler a resposta dos chamados 'Representantes' do Irã", disse Trump em uma postagem nas redes sociais. "Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!", declarou o presidente americano.
O impasse refletiu imediatamente no mercado de energia. Os contratos futuros de petróleo subiram cerca de 4% nas negociações asiáticas desta segunda-feira. O contrato de referência global Brent para julho avançou 3,9% em relação ao fechamento de 8 de maio, atingindo US$ 105,32 por barril. O índice americano WTI teve uma alta ainda mais acentuada: o contrato para junho saltou 4,5%, chegando a US$ 99,68 o barril.
Divergências sobre o acordo e o Estreito de Ormuz Em 6 de maio, Trump havia afirmado que o acordo de paz em discussão com Teerã reabriria o Estreito de Ormuz à navegação e suspenderia o bloqueio dos EUA ao comércio iraniano. No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou estar revisando a proposta. No entanto, a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, noticiou que o documento dos EUA "continha cláusulas inaceitáveis".
Embora a contraproposta iraniana não tenha sido publicada na íntegra, fontes ouvidas pela Tasnim indicam que o texto de Teerã exige o fim imediato da guerra, o levantamento das sanções dos EUA sobre suas vendas de petróleo, o fim do bloqueio marítimo e a garantia da gestão iraniana sobre o Estreito de Ormuz — condicionada ao cumprimento de certos compromissos pelos americanos.
A posição de Israel e o impasse nuclear Além das questões comerciais e territoriais, o programa nuclear iraniano segue como um dos principais entraves. "[A guerra] não acabou porque ainda há material nuclear, urânio enriquecido que precisa ser retirado do Irã", declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em entrevista à rede CBS no domingo (10 de maio). "Ainda existem locais de enriquecimento que precisam ser desmantelados", cobrou o premiê.
Declarações anteriores de Washington e Teerã delinearam a base para um possível acordo: a limitação do programa nuclear do Irã em troca do alívio das sanções econômicas. Porém, as negociações esbarram nas "linhas vermelhas" traçadas por ambos os lados. Enquanto os EUA insistem em eliminar por completo a capacidade teórica do país de produzir armas nucleares, o Irã exige a manutenção de seu controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz.
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