Saudi Aramco eleva vendas e lucro no 1º trimestre apesar da crise no Estreito de Ormuz
Receita da gigante saudita atinge US$ 115 bilhões impulsionada por preços mais altos e uso máximo de oleoduto alternativo para exportação
A estatal Saudi Aramco informou que vendeu mais petróleo cru e derivados no primeiro trimestre deste ano do que no mesmo período do ano passado, apesar das severas interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz desde o final de fevereiro. A companhia não revelou os volumes exatos, mas destacou que o aumento das vendas, combinado com preços mais firmes do petróleo e seus derivados, elevou sua receita para US$ 115 bilhões, contra US$ 108 bilhões registrados um ano antes. O lucro ajustado subiu 26% na comparação anual, alcançando US$ 33,6 bilhões e superando a previsão mediana dos analistas, que era de US$ 31,16 bilhões.
O crescimento nas receitas ocorreu mesmo com a guerra entre os EUA e o Irã causando graves interrupções nos fluxos de energia do Golfo Pérsico durante o último mês do trimestre. O bloqueio efetivo da hidrovia forçou a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos (EAU), o Iraque, o Kuwait, o Catar e o Bahrein a reduzirem as exportações de cru e produtos refinados desde o início de março, o que pressionou a produção total da região.
Rotas alternativas evitam colapso maior
Kuwait, Catar, Bahrein e, em grande parte, o Iraque foram forçados a paralisar a maior proporção de sua produção de petróleo, refletindo a dependência quase total que esses países têm do estreito para exportar. A Arábia Saudita e os EAU também fecharam poços e retiveram volumes significativos, mas em menor escala proporcional, uma vez que ambos contam com oleodutos que permitem contornar o gargalo marítimo.
O oleoduto Leste-Oeste (East-West pipeline) da Arábia Saudita, que possui capacidade para 7 milhões de barris por dia (b/d) e liga o complexo de processamento de Abqaiq ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, "atingiu sua capacidade máxima", afirmou o CEO da Aramco, Amin Nasser. "Nosso oleoduto Leste-Oeste provou ser uma artéria de suprimento crítica, ajudando a mitigar o impacto de um choque energético e fornecendo alívio aos clientes afetados pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz", declarou o executivo.
Estimativas de produção e dividendos
A Aramco não divulgou oficialmente os dados de sua produção de óleo e gás para o trimestre. No entanto, algumas agências estimam que a produção de petróleo saudita, incluindo sua parcela na Zona Neutra Saudita-Kuwaitiana, caiu para 7 milhões de b/d em março, ante 10,88 milhões em fevereiro e 10,08 milhões em janeiro.
Ainda assim, a média de produção saudita no trimestre ficou em 9,32 milhões de b/d — um volume menor que os 10,03 milhões de b/d do trimestre anterior, mas superior aos 8,93 milhões de b/d registrados no primeiro trimestre de 2025. A gigante do petróleo vendeu seu barril a uma média de US$ 76,90 no primeiro trimestre de 2026, ligeiramente acima dos US$ 76,30 observados no mesmo período do ano passado.
Com os resultados positivos, o conselho da Aramco declarou o pagamento de dividendos base de US$ 21,9 bilhões referentes ao primeiro trimestre, um aumento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2025. O montante será distribuído aos acionistas no segundo trimestre.
Deixe um comentário
Comentários (0)