Boletim Diário dos Portos do Oriente Médio: Status Operacional no Oriente Médio e Região (22/04)
Cenário detalhado da infraestrutura portuária, rotas de graneleiros e exportações energéticas em meio à crise geopolítica regional
Boletim Diário dos Portos do Oriente Médio: Status Operacional no Oriente Médio e Região (22/04)
Emirados Árabes Unidos (EAU)
O Terminal de Petroleiros de Fujairah (FOTT) opera quase na sua totalidade, com exceção do Berço 6, que está em manutenção. Os berços 4 e 5 seguem reservados exclusivamente para navios graneleiros, infraestrutura crítica para a movimentação contínua de fertilizantes e granéis sólidos. Os terminais Vopak e ADNOC SPM operam normalmente, assim como as descargas de carga geral e contêineres em Fujairah e Khor Fakkan. No entanto, a segurança da navegação exige atenção: o alerta número 01/2026 adverte sobre incidentes de falsificação e bloqueio intermitente de sinal de GPS nas áreas offshore de Fujairah, o que pode causar perda de precisão posicional e movimentos erráticos nos sistemas eletrônicos das embarcações, classificando a área como de alto risco. Em Dubai e Abu Dhabi, os portos de Jebel Ali, Hamriyah, Sharjah, Ruwais e Khalifa operam normalmente. As operações Ship-to-Ship (STS) foram retomadas nas áreas de ancoragem de Dubai com o auxílio de rebocadores, embora o STS com navios em movimento continue proibido. Os portos de Ras al Khaimah permanecem abertos, mas a autoridade implementou uma sobretaxa de risco marítimo para todas as embarcações. Para mitigar gargalos, uma medida temporária liberou o transporte rodoviário direto de contêineres de Fujairah e Khor Fakkan para Jebel Ali ou Abu Dhabi, dispensando trâmites aduaneiros tradicionais.
Kuwait
Todos os portos do país operam normalmente, mantendo o nível de segurança ISPS 2 em Shuaiba e Shuwaikh, sem paralisações reportadas pelas autoridades portuárias. Contudo, a Guarda Costeira emitiu um aviso suspendendo temporariamente as permissões de entrada para embarcações estrangeiras provenientes de portos iraquianos. O espaço aéreo do país permanece fechado de forma temporária.
Omã
A infraestrutura portuária omanesa está totalmente operacional, mas sob regras de segurança rigorosas. Navios que escalam em qualquer porto do país devem apresentar uma carta oficial confirmando a ausência de cargas perigosas. Caso haja presença desse tipo de material, como produtos IMDG ou militares, os detalhes devem ser especificados para aguardar a aprovação do Ministério antes de entrar nas águas territoriais. No terminal de carregamento de petróleo cru de Mina Al Fahal, as embarcações só podem atracar se o radar de velocidade (Doppler log) estiver totalmente funcional, uma precaução obrigatória devido às contínuas interferências de GPS na região. Os terminais de GNL de Qalhat, Sur e Mina al Fahal operam em Nível ISPS 2, enquanto os demais portos seguem no Nível 1.
Arábia Saudita
O cenário no país é de normalidade operacional, sem alertas ou avisos de emergência emitidos pelas autoridades portuárias locais, com todas as atividades funcionando em capacidade máxima. Os voos a partir do território saudita foram retomados, com companhias como FlyDubai, Air Arabia, Qatar Airways e Etihad Airways operando a partir de Dammam, embora a Emirates ainda não tenha retomado as viagens diretas para a cidade.
Bahrein A movimentação marítima foi retomada, embora as operações portuárias permaneçam limitadas devido à situação regional. O terminal APM reiniciou suas atividades em 9 de abril, mas as operações da estatal de petróleo BAPCO continuam suspensas. A logística de tripulação segue travada, com as trocas sendo inviáveis no momento devido ao fechamento do espaço aéreo. O nível de segurança ISPS nos portos segue em 1.
Catar
Os portos comerciais de Hamad, Doha e Al Ruwais estão operacionais, porém com níveis de atividade inferiores ao período pré-conflito, com Al Ruwais operando com restrições voltadas apenas para embarcações de pequeno porte. Em Mesaieed e Ras Laffan as operações continuam, mas a QatarEnergy cessou totalmente a produção de GNL e produtos associados. Os terminais de Al Shaheen e Halul Island estão com as atividades suspensas por tempo indeterminado. Como medida proativa para manter o fluxo logístico, as autoridades orientaram que linhas de navegação desviem insumos e matérias-primas destinadas a Hamad para portos alternativos em Omã ou nos EAU. Para compensar as disrupções, a Mwani Qatar ativou um pacote excepcional de alívio tarifário. A imigração em Ras Laffan retomou o processamento, permitindo trocas de tripulação, embora existam longos atrasos na emissão de vistos. No setor aéreo, a Autoridade de Aviação Civil do Catar anunciou nesta segunda-feira, 20 de abril, a retomada gradual das operações para companhias estrangeiras no aeroporto internacional de Hamad, marcando a primeira reabertura desde o início do conflito no final de fevereiro.
Egito
A situação logística no país flui sem disrupções, não havendo qualquer alerta emitido pelas autoridades locais. Todos os portos do país e a rota estratégica do Canal de Suez operam em ritmo normal e contínuo. A companhia aérea nacional Egyptair também voltou a operar alguns de seus voos conectando países da região do Golfo.
Jordânia
O país permanece estável e sem incidentes de segurança, com as autoridades focadas apenas em emitir diretrizes preventivas de conscientização pública. Todas as operações no porto de Aqaba seguem de forma rotineira, com terminais, serviços marítimos e movimentação de cargas fluindo de maneira suave e sem atrasos logísticos. A Royal Jordanian e o espaço aéreo do país continuam abertos, com os fechamentos restritos apenas aos voos com destino direto ao Catar, EAU, Síria, Bahrein e Kuwait.
Paquistão
Toda a infraestrutura portuária paquistanesa continua operando em sua capacidade plena, mantendo o nível oficial de segurança ISPS em 1. O espaço aéreo do país segue aberto normalmente, sem qualquer registro de impacto operacional derivado da crise no Golfo.
Iraque
Os complexos comerciais do país, incluindo os portos de Umm Qasr (Norte e Sul) e Khor al Zubair, trabalham com total normalidade, sem medidas de emergência ou restrições ativas. Há disponibilidade regular de suprimentos de água e alimentos, e a troca de tripulação é permitida, embora enfrente burocracias e atrasos na emissão de vistos. Em drástico contraste com a logística de carga geral, as exportações de energia estão completamente paralisadas, com as operações interrompidas nos terminais de petróleo de Basrah Oil Terminal e SPM Somo.
Chipre
A logística da ilha mantém estabilidade total e alheia à crise. Todos os portos seguem plenamente operacionais sob o nível de segurança ISPS 1, enquanto os aeroportos e o espaço aéreo continuam abertos, com a programação regular de voos praticamente normalizada.
Líbano
Apesar do cenário de instabilidade e da tensão operacional concentrada na região sul do país, todos os complexos portuários libaneses continuam operacionais, sem alertas oficiais emitidos pelas autoridades e com o nível de segurança mantido em 1. Os setores público e privado funcionam dentro da normalidade, e o espaço aéreo permanece aberto, embora operando exclusivamente as rotas da companhia aérea Middle East Airlines.
Israel
A infraestrutura marítima do país está operando em sua capacidade total de negócios, abrangendo os portos de Eilat, Ashkelon, Ashdod, Hedera e Haifa. A principal restrição operacional ativa ocorre no porto de Ashdod, que não está aceitando navios tipo Ro-Ro (carga sobre rodas) devido a determinações anteriores de segurança. Nenhuma embarcação foi forçada a abandonar o país fora do cronograma planejado. O espaço aéreo encontra-se reaberto, porém com tráfego restrito, permitindo chegadas e partidas de voos em caráter limitado.
⚠️ Essa análise é só um recorte.
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