Bangladesh planeja reativar três fábricas estatais de fertilizantes até novembro para conter importações

Programa prevê a retomada de duas plantas de fosfatados e da unidade de ureia de Ashuganj, projetando economia de US$ 1,78 bilhão em compras externas de adubos.

Publicado em 29 de outubro de 2026 às 11:34
Atualizado em 29 de outubro de 2026 às 11:41
Pedro

Bangladesh estruturou um plano para retomar as operações de três fábricas estatais de fertilizantes até novembro, abrangendo duas unidades de fosfatados na região de Chattogram e a planta de ureia de Ashuganj, localizada em Brahmanbaria. O cronograma contempla as companhias TSP Complex Limited (TSPL) e DAP Fertilizer Company Limited (DAPFCL), voltadas à produção de superfosfato triplo (TSP) e fosfato diamônio (DAP), respectivamente, além da Ashuganj Fertilizer and Chemical Company Limited (AFCCL). A reativação dessas capacidades produtivas busca diminuir a dependência de compras externas, projetando uma economia potencial de 220 bilhões de takas — equivalentes a US$ 1,78 bilhão (cerca de R$ 9,49 bilhões) — em despesas com importação de ureia, com potencial de atendimento da demanda doméstica e eventuais excedentes para exportação caso o suprimento energético seja regularizado.


A consolidação do reinício operacional, contudo, permanece condicionada à superação de gargalos no fornecimento de insumos e na conclusão de reparos técnicos. As duas plantas de fertilizantes fosfatados enfrentam escassez de ácido fosfórico, enquanto o complexo de TSP ainda demanda intervenções em sua unidade de ácido sulfúrico. Já a planta de Ashuganj, que se encontra paralisada desde março de 2025 devido ao déficit de gás, depende da garantia de fornecimento contínuo de gás natural sob níveis adequados de pressão, demanda que vem sendo articulada junto aos órgãos do setor energético. Atualmente, quatro das sete fábricas estatais de adubos geridas pela corporação química nacional (BCIC) encontram-se em funcionamento, com a unidade de Ghorashal-Polash operando a cerca de 2.800 toneladas por dia, enquanto a unidade de Chittagong retornou à atividade em setembro após seis meses parada e a de Jamuna sofreu nova interrupção em outubro decorrente de vazamento em caldeira.


No ciclo fiscal de 2025/2026, as indústrias estatais de Bangladesh entregaram cerca de 1,10 milhão de toneladas de ureia, 68.259 toneladas de TSP e 82.142 toneladas de DAP, volumes que cobriram aproximadamente 42%, 9% e 6% das necessidades de consumo interno de cada nutriente. No mesmo período, as importações nacionais de ureia recuaram de 1,644 milhão para 1,479 milhão de toneladas. O planejamento estratégico do país estabelece a meta de elevar a produção total para 2,7 milhões de toneladas anuais em um horizonte de três a cinco anos por meio da modernização de plantas e novas unidades, ao mesmo tempo em que o governo avança em acordos de cooperação bilateral com fornecedores externos, a exemplo do memorando recentemente firmado com a Argélia para fluxos de hidrocarbonetos e fertilizantes.

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