Vaca Muerta ganha destaque global como alternativa estratégica diante da crise no Estreito de Ormuz
Argentina leiloa 15 novos blocos de exploração na maior rodada de licitações da última década, visando alavancar a produção de petróleo e gás
O agravamento do conflito no Oriente Médio e a consequente fragilidade das cadeias de suprimentos globais, concentradas no Estreito de Ormuz, impulsionaram a relevância da formação de Vaca Muerta, na Argentina, como um dos principais vetores de oferta de energia fora da América do Norte. Em resposta a essa demanda, a província de Neuquén abriu uma licitação para 15 novos blocos de exploração, marcando a maior rodada de ofertas desde 2016 e mais que dobrando a área oferecida em leilões anteriores. O projeto atrai interesse de empresas internacionais e domésticas, em um momento em que a bacia demonstra produtividade por poço que rivaliza com as formações americanas do Permiano, Bakken e Eagle Ford, consolidando-se como um ativo competitivo com custos de breakeven entre US$ 32 e US$ 49 por barril.
Com a infraestrutura de escoamento avançando rapidamente — incluindo projetos estratégicos como o oleoduto Vaca Muerta Sur (VMOS) e terminais portuários em Punta Colorada, previstos para plena operação até 2027 —, a Argentina consolida sua capacidade de transformar reservas geológicas em exportação de escala global. A produção de petróleo na bacia atingiu cerca de 800 mil barris por dia no início de 2026, com projeções apontando para a superação da marca de 1 milhão de barris diários antes do final desta década. Para investidores, o cenário oferece uma entrada organicamente competitiva em um ativo em maturação acelerada, beneficiado por incentivos fiscais e cambiais, como o programa RIGI (Large Investment Incentive Regime), que já movimenta propostas multibilionárias de empresas como a YPF para alavancar a infraestrutura de exportação e a produtividade de longo prazo da região.
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