Ucrânia pode deixar de exportar 24 mi de toneladas de grãos e perder mais de US$ 5 bi (R$ 25,5 bi) com gargalo no Mar Negro

Bloqueio logístico ameaça metade do potencial exportador de 50 milhões de toneladas na safra 2026/27; retomada em outubro reduziria déficit para 3 milhões de toneladas.

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 22:35
Atualizado em 4 de setembro de 2026 às 22:55
Pedro

A Ucrânia corre o risco de deixar de embarcar cerca de 24 milhões de toneladas de grãos e registrar perdas superiores a US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,45 bilhões) em receitas cambiais caso os entraves logísticos no Mar Negro se estendam até o encerramento do ano comercial 2026/27. Estimativas elaboradas pelo departamento analítico da Forbes Ucrânia apontam que a capacidade total de exportação de grãos do país para a safra atual está projetada em torno de 50 milhões de toneladas, já descontados o consumo doméstico e os estoques de passagem. Embora rotas alternativas por ferrovias e portos fluviais possam amortecer parte das restrições marítimas, a capacidade desses corredores terrestres é insuficiente para escoar todo o excedente disponível.


Em um cenário mais favorável, condicionado à normalização dos embarques marítimos ao longo de outubro, a Ucrânia não recuperaria integralmente o tempo perdido, mas o déficit potencial de exportação recuaria de 24 milhões para cerca de 3 milhões de toneladas — volume que poderia ser transferido para escoamento na temporada 2027/28. Os impactos logísticos já se refletem nos dados operacionais recentes: em agosto, o país exportou apenas 981 mil toneladas de grãos, volume 2,5 vezes menor que o registrado no mesmo mês de 2025, composto por 605 mil toneladas de trigo, 306 mil toneladas de milho e 69 mil toneladas de cevada.


No acumulado da temporada 2026/27, os embarques ucranianos de grãos e leguminosas somaram 3,726 milhões de toneladas, assinalando uma retração de 7,2% na comparação com igual intervalo da safra passada. Entre os principais produtos da pauta, os despachos externos de trigo recuaram 34,3% para 1,6 milhão de toneladas e os de cevada encolheram 34,5% para 368 mil toneladas, ao passo que as exportações de milho praticamente dobraram no período, totalizando 1,62 milhão de toneladas.

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