Trump declara acordo de paz entre EUA e Irã 'totalmente assinado' durante cúpula do G7
Líderes ocidentais correm para ajustar as pontas soltas de pacto frágil; presidente americano celebra queda no petróleo e mercado em alta
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Estreito de Ormuz estará "completamente aberto" a partir de sexta-feira, enquanto líderes ocidentais reunidos na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, trabalham para evitar que o frágil acordo com o Irã desmorone. Ao chegar ao evento, Trump assegurou que o documento está "totalmente assinado" e que a hidrovia já se encontra parcialmente aberta. Contudo, as quebras de cessar-fogo por parte de Israel no Líbano e as contínuas declarações iranianas sobre o direito de cobrar pedágios no canal evidenciam as diversas pontas soltas que ainda cercam a efetividade do tratado.
"Acho que muitas coisas boas vão acontecer no Oriente Médio agora. E, muito importante, o petróleo está despencando e o mercado de ações está subindo como um foguete hoje", celebrou Trump em solo francês. O mandatário ressaltou que a principal vitória do conflito é a garantia de que o Irã não terá armas nucleares, afirmando que Teerã concordou pacificamente com fortes poderes de policiamento internacional.
O memorando de entendimento — que, segundo autoridades americanas, troca a abertura do Estreito de Ormuz pelo fim do bloqueio naval dos EUA ao Irã — deverá ser assinado formalmente em uma cerimônia oficial em Genebra nesta sexta-feira, contando com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance, e do negociador-chefe iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf. Funcionários da Casa Branca indicaram que os detalhes completos e o escopo do acordo serão publicados nas próximas 24 a 48 horas. Enquanto isso, as discussões técnicas lideradas por Vance começarão ainda nesta semana para tratar das questões mais espinhosas, incluindo o escopo detalhado do programa nuclear iraniano.
Condicionantes financeiras e ceticismo europeu
Apesar do forte otimismo americano, o texto prevê passos graduais. O acordo inclui provisões para suspender sanções e descongelar bilhões de dólares em ativos iranianos, mas autoridades dos EUA frisaram que qualquer movimentação financeira estará estritamente atrelada ao cumprimento dos compromissos por parte do Irã. Oficiais do governo americano insistiram que nenhum país do Golfo fez acordos paralelos para liberar os fundos, mas sugeriram que os EUA estão "preparados para liberar fundos congelados e aliviar sanções". "Faremos alguns pequenos gestos no início, se eles fizerem pequenos gestos para nós que mostrem que estão dispostos a cumprir seus compromissos", disse um oficial, clarificando, porém, que até o momento nenhum centavo dos ativos retidos foi liberado pelos EUA ou qualquer outro país. Além disso, não haverá uma retirada imediata das forças americanas nas proximidades do Irã após a assinatura do memorando, optando por manter a atual postura militar na região durante a janela de negociações.
A recepção do acordo entre os aliados globais também revela fissuras. Muitos líderes do G7, que anteriormente se recusaram a permitir que Trump usasse bases americanas na Europa para atacar o Irã, acreditam que todo o episódio de guerra prejudicou a imagem dos Estados Unidos e enfraqueceu as economias ocidentais na disputa comercial contra a China.
Tentando mitigar a insegurança logística, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que uma força-tarefa militar europeia pode ajudar a garantir a reabertura pacífica do estreito, oferecendo o envio do porta-aviões Charles de Gaulle, fragatas e embarcações caça-minas nos próximos dias. A proposta francesa foi concebida parcialmente para amenizar a irritação anterior de Trump com a recusa europeia em aderir a um plano mais agressivo durante a guerra. No entanto, o envio da frota permanece incerto, pois os países contribuintes insistem que a missão marítima não poderá operar caso enfrente resistência militar direta por parte do Irã.
Tensões em Israel e no Líbano
No Oriente Médio, as tensões militares e diplomáticas paralelas continuam preocupando a comunidade internacional. O chanceler alemão, Friedrich Merz, alertou a Israel que o acordo de cessar-fogo também deve se aplicar rigorosamente ao Líbano, discursando logo após um drone israelense ter matado uma pessoa no sul do país árabe — a segunda morte contabilizada desde que a trégua de 60 dias foi firmada. Reforçando o tom, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu publicamente: "Não pode haver paz duradoura enquanto o Líbano permanecer em chamas".
Apesar da pressão, as frentes não se alinharam inteiramente. Em suas primeiras declarações oficiais sobre o tema, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não chegou a denunciar o pacto de paz, mas distanciou-se do andamento do processo. Netanyahu afirmou que o acordo com Teerã foi uma "decisão de Trump" e ressaltou que Israel continuará buscando seus próprios interesses estratégicos na região.
Fonte: The Guardian
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